A diversão

19 11 2009

Letrados, iletrados, pós-intelectuais e pseudointelectuais, um livro também é diversão.

Ontem houve uma pequena animosidade durante as apresentações do Encontro de Iniciação Científica sobre a saga Crepúsculo, aquela do vampirão Edward Cullen e sua amada Bella Swan, que tem a interevenção do Lobo-Mau Jacob (O Jacobesta segundo a Ju).

A discussão começou porque uma menina disse que não lia os livros porque não tinha tempo, pois ela teria que se concentrar, então era preferível ver os filmes e depois, quando não tivesse que fazer inúmeros trabalhos da faculdade pararia para ler, pois são “incontáveis” quatro livros que compõem a série e ela não teria paciência para ler um e esperar um semestre para ter tempo de ler o outro (mas tem paciência para esperar um ano pelo filme, engraçado).

Pensando com os botões azuis da camisa do Chelsea, comecei a questionar se ela não poderia simplesmnete largar de ver a novela ou de sair para ler o livro. Tá certo que muitas vezes as pessoas passam por um problema sério de tempo e não conseguem fazer certas coisas. Mas, não acho que uma novela seja um argumento sustentável para descansar. Aliás, um livro também pode descansar, ou não?

Os super intelectuais criticam o alvoroço provocado pela saga e pelas manifestações de amor, sendo eles os que mais pregam que se leia. Já a massa não lê porque não tem tempo, ou simplesmente porque não sabe. A classe média não lê porque prefer ver o filme. E agora? Ninguém lê?

A questão aqui não é se o livro é bom ou ruim, o importante é que se leia e mais ainda, que se entenda a leitura como diversão. Diferente daquela coisa “séria” das Lufts e Curys, que tentam passar lições baratas de vida, aquilo não é nem diversão, nem literatura e nem nada.

A leitura tem que ser vista para além da perspectiva escolar e estudantil. Um livro pode muito bem ser entretenimento de qualidade, assim como é um bom filme, uma peça de teatro, enfim. Mas, porque a literatura e a leitura assumem esse papel tão “escolarizado”?

A escola tem grande importância nesse sentido. Os tais paradidáticos nada mais são do que a escolarização do entretenimento. Um livro que era para ser lido por diversão (como a um filme assistido) ganha ares escolares e é questão de prova, o que faz o aluno ler por obrigação e não por deleite. A Literatura anda sendo banalizada pelos intelectualizados, que tentam a todo custo deslegitimar a importância do melhor instrumento de diversão já criado.

É preciso criar a cultura da leitura por diversão, da leitura por deleite, isso sim repercutirá na sociedade com o tempo. Alguns gostam de Crepúsculo, outros de Dom Casmurro e outros ainda de O Capital.

É possível ver um filme logo após terminar a novela sem levantar a bunda do sofá, porque não possível ler Crepúsculo após estudar para a prova?

Divertir-se não é imbecilizar-se.

Passou despercebido:

1) Todos definidos para a Copa 2010.  Coreia do Norte e Coreia do Sul irão à até a África do Sul, não juntas como nas Olimpíadas, cada um no seu quadrado. Austrália e Nova Zelândia disputarão o certame. A Austrália conseguiu a vaga pelo grupo da Ásia (????). O sorteio dos grupos será dia 04/12.

2) Obina é melhor que Maguila.

3) Ótimo comentário sobre a extradição de Cesare Battisti. Ô Seu Gilmar nem parece que o senhor tem livros sobre preceitos fundamentais.

4) O Encontro de Iniciação Científica da UNDB continua até sexta-feira. Hoje a comissão passa para avaliar os trabalhos.





Interprete-se

13 11 2009

Grande parte das provas de português das escolas e exames de vestibular eram direcionadas para a interpretação textual. Ficava lá aquele texto imenso (como se a gente não tivesse mais cem questões para responder) e você tinha que adivinhar o pensamento do autor misturado com o pensamento de quem escreveu a prova, um limitador, ainda mais nas provas objetivas, em que você tem que marcar a letra certa, senão o sistema não computa. Um problema.

Alguns professores de português não entendem que interpretação é diferente de compreensão. Sem querer definir cada um é fácil perceber a diferernça entre um e outro. Comrpeender é apenas entender que ali está um conjunto de palavras em determinado idioma, a interpretação é dar vida a algo que está morto, é compreender pensando.

Intrperpretar é o que dá fim à prestação da literatura. Esta se inicia com a escrita e tem seu termo na leitura por quem quer que seja. Nessa “leitura” entenda a compreensão e a interpretação de qualquer pessoa. Interpretar é algo que não pode ser imposto e/ou limitado por alguém (nem pelo próprio autor), visto que isso cristaliza o processo de desenvolvimento do conhecimento.

Livro_aberto

Cada texto deve ser lido dentro de sua perspectiva humana e histórica, e é por isso que algums obras que atingem o patamar de “clássico” podem ser lidas a qualquer tempo. Não porque sejam obras escritas por gênios, simplesmente, porque tais obras (artísticas, litrárias, cinematográficas) conseguem acompanhar o desenrolar da ação interpertativa humana, em verdade, é a ação interpretativa da humanindade que consegue acompanhar o desenrolar da obra.

Podemos até dizer que a Literatura é o ponto de convergência entre arte e ciência. Não há nada mais estranho e estimulante, não há nada mais puro que a escrita e nada mais espiritual quanto a interpretação da escrita. Quando interpretamos transformamos algo estranho em algo comum a nós, em algo que pode ser vinculado a nossas vidas sem que outras pessoas tenham o poder de intereferir nesse conhecimento e limitar essa atividade é limitar o crescimento individual – mas parece ser isso que os poderosos querem.

A capacidade de ler, compreender e interpretar determinado texto é uma espécie de arte secreta, em que você é laçado para dentro e lançado para fora ao mesmo tempo.

Quem sabe ler consegue trazer para a atualidade o passado escrito.

Passou despercebido:

1) Três ótimas opções para desafiar o fim de semana:

1.1) Assistir o Vascão hoje à noite ser campeão da Série B. Desmerecimento? Claro que não. É festa. Desmerecer é não comemorar.

1.2) O livrinho “Sobre falar merda”, de Harry G. Frankfurt (Obrigado, Ju, do fundo do meu coração).

1.3) O filme “Trem da Vida” (Train de Vie, 1998) dirigido por Radu Mihaileanu.





Wiki(desciclo)pédia

19 10 2009

Uma das coisas que me deixa extremamente espantado é olhar um trabalho acadêmico dos colegas de sala lá na faculdade e olhar uma referência da Wikipédia. O modelo da Wikipédia (o modele Wiki) é aquele em que um indivíduo comum participa lançando sua ideia sobre determinado tema ou pessoa. Além disso, outra pessoa pode discordar do que está escrito e corrigir ou acrescentar algo.

Muitos sites, mesmo antes da famosa Wikipédia já utilziavam essa tecnologia. O primeiro que me vem à cabeça é o Whiplash. A diferença é que o Whiplash requer seja disponibilizada a matéria original (que muitas vezes é traduzida). Algo que a Wikipédia não requer.

Se a Wikipédia fosse um livro

Se a Wikipédia fosse um livro

O desmerecimento da Wikipédia por parte dos professores e mestres é justamente pela falta do corpo editorial que legitima qualquer outra publicação da internet. Não é o que vemos também no maior site jurídico do Brasil, o Jus Navigandi. Diferetnemente, é o que vemos expressamente no portal SciELO, um site que disponibiliza apenas artigos que passam por um rígido processo de avaliação. Não raro professores os aceitam como publicação impressa.

A Wikipédia gera comodidade (e como gostamos disso), para a resolução de problemas e busca por definições rápidas e rasterias para temas que muitas vezes são discutidos há anos, décadas ou séculos. Quem se utiliza da ferramenta cai no que pode muitas vezes ser um analfabetismo digital e educacional. Alguém conhece qualquer pessoa que publicou algo na Wikiédia? Qual o processo de avaliação para a publicação? Vá lá e tente publicar algo, fácil fácil. Nem o autor é citado.

Não que a ferramenta seja uma ferramenta obsoleta. Alguns simpáticos autores relacionam várias obras que referenciam o seu trabalho e que essas sim deveriam ser as utilizadas nos trabalhos e não o mero resumo daquele texto da internet.

O site servir de total embasamento teórico para qualquer trabalho, por mais primário que seja, é tornar seu trabalho e o do colega em algo inútil e desmerecido. Sem a devida pesquisa é impossível se ter um trabalho considerado pelo menos bom.

Usar como começo (very beggining) de trabalhos, buscando as obras referenciadas, é a melhor forma de utilizar dessa enciclopédia que muitas vezes pode parecer com essa aqui.

Passou despercebido:

1) A “guerra” no Rio de Janeiro continuará enquanto não se mudar completamente essa política de segurança pública.

2) Ou vocês acham que os traficantes compram armas que derrubam helicópeteros na padaria da esquina ou no armarinho da Dona Maria?

3) Quando se precisa do Palmeiras…

4) Quando se precisa do Rubinho…





Litera(tura)lidade

15 10 2009

A Literatura anda relegada a segundo plano no seguimento atual de edição e publicação de livros. A própria ideia de produção em massa começa a destruir uma indústria que tinha tudo para ser a indústria do entretenimento de verdade. Falo em entretenimento porque algumas pessoas divertem-se lendo.

As obras literárias hoje pouco lembram as obras clássicas do séc. XVIII e XIX. Não se faz aqui uma apologia às coisas do passado. O que é de se tratar é a forma como a Literatura está sendo usada para manipular massas e acalmar ânimos.

Livros de auto-ajuda são publicados de fordianamente. Quem lembra da explosão das ficções históricas à la O Código da Vinci? O que dizer da nova onda da Literatura feminina?

livros

Muitos são adeptos do “pior que ler besteira é não ler”. No entanto, a buscapelo conhecimento e entretenimento fica limitada pela visão imposta por Curys, Lufts e Gasparetos. Ao se deparar com algo mais desafiador o livro é deixado de lado e a TV ou o cinema podem resolver o problema. Pois, para mim, ninguém me diz que quem é acostumado com Matutos ou Pais Maravilhosos conseguirá se deliciar com a profundidade do amor entre Mr. Darcy e Elisabeth Bennet.

As escolas também vão contribuindo para esse distanciamento da criança com a Literatura. Veja aqui.

Mais o mercado editorial ainda reserva mais surpresas tratando clássicos absolutos como coleções ultrapassadas que precisam de uma releitura e lançam famigeradas obras resumidas ou com linguagem acessível para a massa, o que acaba limitando ainda mais uma mente que será cada vez mais restrita à linguagem de fácil assimilação, gerando uma acomodação na busca por entretenimento de qualidade.

Quem disse que ler não é divertido? Por que a ideia de se criar um grupo para ler e discutir um livro tomando uma cerveja é uma ideia tão ameaçadora?

abraco-literatura

A Literatura como obrigação criada em nossas cabeças desde miudinhos é o que faz muitas pessoas preferirem poltrona e controle remoto a poltrona e livro. Além do mais, o bombardeio de informações inúteis transvestidas de utilidade pública fazem a bunda ficar presa ao sofá e o olho não piscar e o silêncio para ouvir o Bonner ou a Maia falando rompe qualquer laço que há com uma pessoa de verdade que busca uma palavra que saia de cordas vocais e não de caixas de som ou home theaters.

A boa Literatura atual é a que o Faustão anuncia e o que a Veja diz estar no Top 10 da semana. Mais vendido é melhor porque mais pessoas leram e se um bilhão de moscas comem bosta eu também vou comer.

A Literatura precisa ser mais respeitada, precisa de mais atenção por parte de quem incentiva esse divertimento. Não me digam que não, mas ficar em casa numa noite de sábado lendo um livrinho é um ótimo programa.

Passou despercebido:

1) As editoras Nova Fronteira e Ediouro/Publifolha lançaram todos os  seis livros de Jane Austen em português. Um site perfeito http://janeausten.com.br/

2) Hoje é dia do Professor, parabéns a todos os mestres!

3) Dom Pedro é a melhor cidade do Maranhão, a pior é Urbano Santos.

4) O imbd.com realmente é o melhor site de filmes.





Quadrinhofobia

26 08 2009

A gente tem algumas preferências na vida, algumas são criticáveis, outras criticadas. Eu tenho um apreço muito grande por quadrinhos, não da Turma da Mônica ou do Batman, mas de coleçoes e livros que às vezes ganham o nome de graphic novels. Quando pequeno eu lia mais X-Men e outros heróis Marvel, a DC Comics (que lançou Batman, Superman e Liga da Justiça) nunca me chamou a atenção, a não ser pelo Dark Knight, sim a sequência que virou inclusive filme. A DC Comics tinha uma espécie de selo alternativo, o Vertigo, e era por este selo que saíam as estórias que marcaram minha paixão por quadrinhos, como Constantine, V de Vingança, 100 Balas e Sandman, entre outros. Isso sem citar outras editoras brasileiras, como a Panini e a Devir que lançam ótimas obras para quem é fã de um mercado pouco explorado no Brasil.

Quadrinhofilia, de José Alencar (HQM Editora), um ótimo começo para quem tem medo de ser visto andando com uma estória quadricualda

Quadrinhofilia, de José Alencar (HQM Editora), um ótimo começo para quem tem medo de ser visto andando com uma estória quadricualda

Leio quadrinhos porque entendo como Literatura. Quando chego na sala de aula com uma revista ou um livro em quadrinhos sou muito criticado e às vezes chamado de criança e débil mental. “Ah, porque história em quadrinhos é coisa de criança e débil mental”, aprendi a abstrair esses comentários, que me parecem ser bem mais infantis. As pessoas, principalmente no Brasil, tendem a não perceber a arte por trás de uma estória desenhada, toda trabalhada e bem com roteiro bem definido.

Engraçado é que o brasileiro já não tem cultura de leitura e, querendo ou não, estórias em quadrinhos facilitam a assimilação e proporcianam o que seria a criação do hábito de ler, por que não? Às vezes, o velho clichê da imagem que vale mais que mil palavras é bem colocado nesse contexto.
O Eisner, em homenagem ao mestre Will Eisner, é o Oscar dos quadrinhos, mas um seguimento da literatura não tem seu próprio prêmio específico, não se observa um prêmio só para livros de terror ou dramas, é o Pulitzer e pronto.

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Monografia de Nildo Viana

Porque não se coloca quadrinho como literatura? Pelo simples fato de ser algo mais acessível, alguns dizem, outros admitem que parece ser coisa de criança e infantilóide, alguns outros já defendem que simplesmente é coisa de quem não tem criatividade para escrever com palavras um roteiro de desenvolvimento de uma estória. No entanto, penso que todos os argumentos são pseudointelectuais e são os mesmo que dizem ser Lya Luft e Paulo Coelho os melhores autores nacionais da atualidade.

No Brasil, ainda sofremos com paradoxos por parte das escolas e da crítica da sociedade. Já que é coisa de criança, não admitem algumas estórias em quadrinhos para algumas crianças e enfiam goela abaixo um José de Alencar ou Aloísio de Azevedo, sem nem saber o que isso criará na mente infantil.

Coisa de criança não é para criança, coisa de criança é para retardados mentais e temos que submetê-las a programas imbecis e leituras burras.
Seninha, Xuxinha, Turma da Mônica, e outra de estórias poderiam ser perfeitamente adotadas pelas escolas e deixemos o Machado, o Saramago para depois, para quando a criança realmente se sentir livre para ler, sem os grilhões da obrigação de passar no vestibular.





Como ler e se afastar da leitura

25 03 2009

Leitura sempre faz bem e o que mais hoje precisamos no nosso país é uma educação de qualidade que permita que nossas crianças (e adultos) possam ler livros de qualidade e entender o que estão lendo. Afinal, a leitura não se resume apenas a mera identificação de palavras nas páginas do livro.
Mas algo acontece com nossas escolas que parecem ainda não entender quais livros seriam mais de acordo com a faixa etária dos estudantes. Eu posso ser suspeito por não gostar muito da literatura brasileira e pouco da portuguesa, a não ser pelo mestre dos mestres Machadão. Porém, trato aqui de quais autores e livros são colocados para que os alunos leiam (forçosamente) para uma prova ou trabalho.
Como imaginar uma “criança” de 15 anos de idade lendo Senhora ou O Cortiço? A leitura não é difícil, no entanto é permeada de assuntos que certos adolescentes ainda não viveram. Sexo? Claro que não, a maioria dos adolescentes hoje já tem vida sexual ativa, e percebem muito bem a sensação quando esta é relatada no livro. E nossos autores parecem pervertidos sexuais, traumas de quem foi obrigado a ler O Cortiço com 11 anos de idade e O Dono do Mar aos 14 (doce inocência roubada).
Ciúmes, trabalho, relação contínua, abstinência, alcoolismo. Enfim, questões psicológicas que nem mesmo quem os estuda consegue definir são passados a esses seres que mal conseguem dizer o que ser crescer. E a Literatura nada mais faz com que você sinta-se dentro da história e perceba o que acontece. Os personagens tendem a se colocar como um reflexo do homem “real”, como gostar de ler se você não se sente bem com aquilo que você é forçado a ler?
Eu me pergunto porque não dar um Harry Potter, Senhor dos Anéis, O Pequeno Príncipe (nunca entendi porque as esolas não pedem para ler, nem citam), A fantástica cadeia de livros Desventuras em Série ou as fábulas de Esopo e La Fontaine. É muita coisa, mas a absorção será bem mais agradável, já que a descrição das paisagens e personagens se assemelha muito mais a alguém sem muita experiência literária. Talvez o grande Monteiro Lobato fosse uma boa pedida, mas professoras e professores já pensam em Pica-paus amarelos, bonecas falantes e pirlim-pim-pim e acham… infantil… demais… para as crianças. Difícil entender. E Monteiro Lobato tem ótimos outros livros.

livro

Eu entendo que deve-se dar preferência para os autores que escrevem em nossa língua, o problema é quando esses autores não escrevem para os estudantes dessa faixa etária, fica difícil procurar algo diferente. Ao que parece, as escolas querem transformar as crianças e adolescentes em adultos que “já leram os clássicos”, para que esses se tornem adultos mais “literários”, já que os nossos adultos não tem essa noção. Afinal alguns dos livros que se lêem hoje nas escolas, eram meio que proibidos de circular antigamente.
A conclusão que se chega é a de que num mundo literário de Lyas, Zíbias, Paulos e Augustos é melhor ficar com nossos clássicos pervertidos mesmo.