Ontem (19/11) todo meio de comunicação que você ligava parecia ter voltado no tempo, com gravações de rádios AM de 19 de novembro de 1969, narrando um gol de pênalti em preto e branco. O jogador e gol em questão? Pelé e seu gol 1000. Mas, porque tanta mísitica em cima de um gol? Tá certo que é o Pelé, que com a bola nos pés foi o melhor, tá certo que ninguém até 2007 havia feito mil gols na carreira e que foi um momento histórico no futebol mundial, quiçá intergalático.
Mas uma questão pouco vem à tona quando comemoramos o aniversário do gol de Pelé.
O ano era 1969. Estávamos sobre a égide de uma Lei de Imprensa duríssima e limitadora (aquela do diploma, que foi declarada não recepcionada pela Constituição neste ano) além do famigerado AI-5. Falar de política e economia em jornais era o mesmo que dizer para um padre que Satan é o verdadeiro pai. As músicas tinham que ser extremamente criativas para passar pelo crivo de um comitê de censura. Enfim, era um tormento passar qualquer informação e restava falar do que todo brasileiro ama: futebol.
Tudo girava em torno do tal gol, esqueceram torturas e atitudes antidemocráticas. Até a torcida do Bahia vaiou seu zagueiro Nildo como se ele fosse um dos generais que impedia a diversão do povo. Aos jornalistas cabia sua presença em todos os treinos e jogos do Santos até que o tal gol fosse marcado.
De que forma a Ditadura se aproveitou do fato?
Como dito, os coronéis de terno e gravata viram que a paixão brasileira pelo futebol podia apagar e abafar qualquer coisa que o ferisse em sua honra. Ninguém sentia falta de liberdade de expressão se podia ir ao estádio e torcer pelo seu time e ver um gol. A mídia, que talvez não fosse tão do jeito que é, acabava cedendo à essa paixão, acho que muito mais pela legislação do que pela vontade. Basta lembrar que em 1958 e 1962, as notícias sobre a Seleção Brasileira na Suécia e no Chile, respectivamente, demoravam um certo tempo para chegar. Pelé chegou a comentar que Seu Dondinho demorou dois dias para saber que o filho tornara-se campeão.
A Seleção já era uma realidade nacional, mas faltava mais paixão, faltava estar mais perto daqueles que representavam a pátria com a chuteira. O que fez a Ditadura? Uma enorme festa, embalados pelo gol mil, para que todos torcecem pela Seleção Canarinho em 1970. Era a pátria de chuteiras, era a expressão maior do nacionalismo brasileiro. Ainda é. Tanto é que hoje vemos o resquício dessas atividades de “pão e circo”, a cada quatro anos, em pelo menos três dias do mês de julho somos dispensados do trabalho e da escola para ver a Seleção, para torcer pelo Brasil – e olha que coisa mais engraçada. Torcemos não pela Seleção Brasileira, torcemos para “o Brasil”, queremos ver “o Brasil” ganhar.
Gosto de Copa do Mundo, e muito. Mas não é essa a questão.
A ditadura não fazia mensagem subliminar para apologia do futebol e esquecimento dos problemas do Brasil, era super/ultra liminar mesmo. O Capitão Cláudio Coutinho era o preparador físico e o Brigadeiro Jerônimo Bastos era chefe da delegação. Até hoje os governantes usa o futebol para alterar a visão sobre o país. Lembrem-se que depois da conquista de 1970 o Presidente Emílio Garrastazu Médici, o General, fez embaixadas sob os aplausos dos babões. Como um homem desse podia ser acusado de liberar torturas?
Aquele dia 19 de novembro de 1969 foi um marco para o mundo, aliás o ano de 1969 foi um marco para o mundo: chegada na lua, os grandes festivais, revolução sexual etc.
No Brasil, especialmente, esquecemos que os cinco anos anteriores e os dezesseis anos posteriores ainda guardariam muitas e muitas lutas.
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Passou despercebido:
1) Edwin “Buzz” Aldrin, o segundo homem a pisar na lua, logo após Neil Armstrong está no Brasil, para conversas sobre aquela viagem.
2) Ô Henry, se liga, frère. La main de dieu? Il fasse me faveur.
3) Hoje é a premiação do II Encontro de Iniciação Científica da UNDB. Não vamos ganhar, mas só a publicação do trabalho é um ótimo prêmio.
4) Tem gente que diz que o Johnny Cash cantava country, outro dizem que era blues e outros ainda diziam que era folk, eu digo que ele cantava lamentos… e que belos lamentos.








Assunto do meio boleiro foi a imagem alusiva ao personagem Bambi, de Walt Disney, veiculada em um vídeo na sede do Corinthians, em comemoração aos 99 anos do clube. Foi levantada a questão de que tal evento era desmerecedor do clube do Morumbi, pois isso denegria a imagem do clube e dos torcedores.














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