Crônica de um quase fim

22 09 2009

Ébrio que estava quase não sabia o que estava fazendo. Embriagado e sem limites foi fazendo o retorno no lugar que não devia e não notou o carro vindo na direção oposta, e como teria visto, se não via nem o que acontecia logo à sua frente?

O resultado não poderia ser outro. Ambos os automóveis chocaram-se um de frente com o outro. Quase um fim. O cinto colocado pela insistência da voz da namorada na sua cabeça talvez tenha evitado o pior. Na verdade, evitou o fim.

Saiu do carro pedindo desculpas a tudo e todos, como se houvesse uma horda de fazendeiros com ancinhos e tochas, loucos pelo seu sangue e sua carne. Mas, não, eram apenas outras pessoas mais assustadas, não com o acidente, mas com a situação daquele que fez o retorno de modo errado.

A cerveja ainda fazia seu efeito e ninguém sabia o que ele pensava, queria morrer ali mesmo, pelo tamanho da vergonha que sentia de todos. Os que estavam e os que não estavam lá. Pegou o telefone celular e desandou a ligar para todos da lista, quem fosse atendendo ia chamando.

Àquela que o fez, inconscientemente, colocar o cinto, apenas uma mensagem tímida e que em nada falava da gravidade que o sinistro poderia ter tomado.

Guincho, polícia, choro.

Não aguentava mais a situação e só queria dormir, talvez fosse apenas um sonho ruim, daqueles que na hora que a coisa vai acontecer você acorda num pulo que quase quebra a cama. Não era. Era tudo verdade. Tão verdade que seu braço e sua cabeça doíam.

O pranto tomou conta de todo o seu ser. O que ele havia feito? Que fim levaria sua vida? Qual seria o fim da vida dos outros?

Não saiu de casa no outro dia. Nem atendeu o telefonema daqueles que podiam de certa forma ajudar. Ou apenas daqueles que queriam saber como estava, se precisava de algo.

Só queria morrer. Só pensava em morrer.

Suicídio.

Mas seria algo muito egoísta. Deixar que os outros sofressem por algo que não tinham culpa. Aliás, sofrer por causa dos inúmeros conselhos que recebia dia após dia, dos conselhos sinceros daquela que o amava (só pode ser usado no passado esse verbo, eu mesmo duvido que ela ainda queira alguma coisa com ele). “Pega um táxi”, “Limite”, “Não vai dirigir assim”.

Mas se sentia o Superman, e nem mesmo gosta de ler essas historias em quadrinhos para criança. Melhor, sentia-se o próprio Constantine.

A coisa ainda não andou direito. Ainda sente vergonha da vida que leva. Até certo ponto parecia ser ciente de suas atitudes, parecia ter se transformado em alguém realmente sério e que não vive uma vida de mentiras.

O pior de tudo, pensa ele, é essa sensação de impotência e de solidão que permeia a cabeça e o coração, quando você vê que amigos, de fato, poucos temos.

Não consegue andar de cabeça erguida. Parece ainda estar bêbado desde a batida. Bêbado de sensações ruins, de sentimentos tristes, bêbado de tanto tomar as lágrimas que descem dos seus olhos constantemente.

Não consegue dormir, pode ser que ele acorde no meio da madrugada com a presença de que poderia não estar mais entre os vivos. Assim como acordou ontem, com a figura da mulher gorda e pelada que vinha em sua direção com os olhos vermelhos e esbravejando impropérios e querendo lhe dar um soco.

Foi quase um fim. Agora, só resta o recomeço.





A minha é única. Te amo Ju.

19 08 2009

Eu fiz uma coisa ridícula e estou arrependido. Não cabe aqui relatar o que ocorreu no smínimos detalhes, apenas dizer que eu estou mais que arrependido, porque magoei uma pessoa que eu amo, admiro e respeito de todas as formas possíveis. No entanto, certas coisas passam pela cabeça e você pensa que está fazendo algo para melhorar uma relação, só que daquele jeito as coisas só pioram.

Eu fiz algo pensando estar sendo coerente, mas a coisa tomou um rumo diferente, que acabou sendo ridículo e fiz ela sofrer. Não queria jamais que as coisas corressem do jeito que aquilo correu, no calor da discussão disse coisas que não mereciam ser ditas, ainda mais para quem disse. Não quero ser desculapdo, não quero ser entendido, só quero ser claro que estou arrependido.

Não posso destratar alguém que está sempre do meu lado e quem me dá apoio em tudo (quase) que eu faço ou projeto. E ainda mais alguém que além de estar do meu lado, é uma das únicas que tem paciência de ficar e aguentar as minhas manias, pitis e loucuras.

Ela não desistiu e eu também não desistirei. Vamos seguindo em frente. Dessa vez sem qualquer piti ou qualquer coisa que deixe triste o rosto mais lindo do mundo. Não posso continuar contribuindo para a destruição de coisas que andam bem, momentos nos quais eu recebo até um “eu te amo” mais meigo e inocente que qualquer outra coisa no mundo.

Eu estou de cabeça nesse relacionamento há muito tempo para que as coisas sejam destruídas assim, como se fossem um romance de show ou de fim de semana. Quem mais eu admiro, quem mais eu rpezo no mundo não pode ficar em segundo plano.

O mundo é bem menor (e mais fútil) que essa coisa que eu vivo tão intensamente, que vivo plenamente e deveras satisfeito, alegre, feliz mesmo. Felicidade que é destruídas por minhas ações idiotas, imbecis e egoístas.

Quem nega que ama não tem um sentido na vida, quem nega que sente algo por alguém é inútil e desesperado, sozinho. Eu não sou sozinho, desesperado ou inútil e tenho certeza disso. Minha vida se tornou vida a partir de 14 de dezembro de 2002 e até hoje eu posso dizer “eu vivi”, não deixei de fazer as coisas que gosto e perto de quem eu mais gosto.

Eu sei que ela irá ler isso aqui, eu sei que ela frequenta este blog, mesmo não concordando com as coisas que eu digo. E não quero que concorde mesmo, só quero que fique comigo, pois nossas conversas são as mais proveitosas, produtivas e edificantes que eu tenho, muitas até viraram pauta aqui, coisa que ela odeia. Mas, o mundo seria chato se todos tivessem a mesma opinião.

Eu te amo Ju, Jhujhu, Juju, Juliana. É com você que eu quero ficar. É com você que eu projeto minha vida e é com você que vou conhecer a Alemanha.

Eu te amo e muito.

Obrigado por estar comigo!





Ode ao presente

16 06 2009

O propósito de ter um blog não era ganhar dinheiro ou ter qualquer benefício advindo da internet, o objetivo era (e ainda é) pura e simplesmente escrever coisas que eu tenho guardado comigo e que quase não tenho pessoas com quem dividir, ou porque acham que é perda de tempo discutir sobre assuntos que não tem consenso (“eu tenho aminha opinião e você tem a sua”, acabou), ou porque passaria por chato se levantasse em mesas de bar. A minha ilusão foi achar que ninguém leria este blog, afinal a coisa está lançada para o mundo e você quer que ninguém leia? Aí comecei a colocar links em “divulgadores” de blogs, talvez pela falta de alguém para “conversar” sobre os temas escritos, ou farra mesmo, ou para colocar os banners dos amigos e pessoas que coadunam com as minhas idéias.

Mas não me importo com quantas pessoas acessam o site por dia, eu só comecei a descobrir as estatísticas há uns dois meses. Eu vi que a média era de 100 pessoas por dia. Um espanto quando eu percebi que tanta gente, ou melhor, que tantos acessos aconteciam no meu (particular e privado) blog.

Qual seria a razão? Não faço a mínima idéia.

O blog foi preparado para minha pessoa, para que eu pudesse me expressar, sem ter que me explicar oralmente para outras pessoas, pois como já dito, eu passaria por chato. Já fui chamado de blasfemo, ignorante, idiota, burro e até de pretencioso, não em comentários, aliás todos os comentários feitos neste blog foram aceitos, concordando ou não com o post.

Na verdade, o blog tem me feito muito bem. e é sobre isso que eu queria falar.
Em seis meses aprendi muito mais com esse blog que em várias conversas ou estudos, aliás conversas e estudos me inspiravam a escrever, o que muitas vezes também era alvo de críticas. Afinal, os posts tinham que vir de algum lugar, e qual a melhor fonte de inspiração que uma conversa agradável ou um bom livro?

Este espaço me tornou uma pessoa bem melhor e mais responsável, no momento em que estipulei a mim mesmo que o maior lapso temporal entre um post e outro seria de dois dias, algo que tornaria esta página em anotações pessoais, um diário propriamente dito. O que se notou é que é um diário diferente, o problema é que esse é um diário de coisas que me afetam, de assuntos que me deixam com a cabeça fumaçando ao pensar “por que acontece?”.

Havia feitos muitas besteiras, coisas não muito legais que afetaram pessoas que eu gosto muito, e o blog me direcionou, me deu um norte, uma espécie de estrada que eu podia seguir. O problema é que quando você faz certas coisas podem pensar que você sempre continuará a fazer e quando surge algo similar, mas que não condiz com a verdade, já imaginam que você agiu da mesma forma de outrora. É o problema da universalização de atitudes da nossa sociedade e é muito complicado tentar mudar a opinião das pessoas quando elas estão “convictas” de que a atitude é o que elas pensam e não o que aconteceu realmente.

Não dá para culpar, aliás a culpa é toda nossa, já que certas atitudes anteriores provocaram este pensamento. Não significa que não mudemos, não significa que estejamos mais responsáveis e mais verdadeiros. Se hoje eu sou mais responsável, mais verdadeiro e mais prudente nas minhas atitudes eu devo muito a este espaço, meu blog, minha página na internet. Eu sei que algumas pessoas são “fiéis” no acesso ao site e lerão este post, não sei se inteiro, ou memso se entenderão o que foi escrito aqui.

Isso tudo é para pedir desculpas pelo que fiz antes, em momentos de irresponsabilidade e infantilidade e não pelo que não fiz hoje.

Não é uma ode ao blog, é uma ode ao meu presente, minha vida atual de responsabilidades, adquiridas pela vivência com pessoas (há alguém especial, sim) que me ensinaram várias coisas que incentivaram meu amadurecimento, mesmo que indiretamente.

Errei antes e não quero que esqueçam, justamente para que a pessoa que me tornei hoje seja vista com mais orgulho pelas pessoas. Não faria sentido eu repetir as mesmas besteiras se meu momento é tão maravilhoso, é tão sublime, se minha vida está do jeito que eu sempre sonhei.





Mais dos mesmos

14 01 2009

Alguém falou para boicotar um bar aqui em São Luís porque quando da escolha da cidade para sediar a nova franquia o proprietário havia falado que tal escolha se deve à falta de opções noturnas e no domingo. “Difamou São Luís. Vamos boicotar esse lugar. Ninguém pode ir. Exigimos respeito.”
O tal proprietário não falou em nenhum momento da cidade em si. Aliás, São Luís é LINDA! No entanto, faltam sim opções de saída. E eu falo até para quem gosta da droga do forró elétrico ou do pagode fantasiado de “samba de raiz” e até da nova moda do Sertanejo que toma conta da cidade.
Dá pra listar o que você pode fazer nos dias da semana nos dedos de uma mão.
Os mesmos bares, as mesmas “baladas”, os mesmos shows. Nossa vida noturna se resuma a 2 bares na Lagoa da Jansen com a mesma programação MPB para tontos, uma ou duas boates sempre com a mesma programação dance imbecil para playboy se exibir com carrão e a Av. Litorânea com a futilidade beirando a casa do impossível acreditar, com dezenas de carros tocando um som absurdamente alto. Isso sem falar dos preços exorbitantes a que somos submetidos e só podemos dizer Amém, já que os donos dos lugares pensam assim: “o preço é esse e se não quiser sai e olha o tamanho da fila de quem quer”. O problema é que 75% da população gosta desse tipo de “estagnação cultural”. Quer dizer, nem dá para saber se gosta, se se acostumou ou simplesmente aceita.
A coisa que parece é que você precisa ser visto. Onde quer que seja. E numa sociedade que vive de aparências como a nossa (acho que aqui falo de Brasil e talvez de mundo) isso é fundamental.
Nesse contexto ninguém se importa que o Chiclete com Banana venha 5 vezes em um único ano. Ou que o Aviões do Forró ou Forró Sacode venha a cada dois meses. Quero dizer, os mesmos artistas com os mesmos shows 3, 4 vezes por ano. Veja bem, não quero questionar a qualidade desses grupos. O que trato aqui é a vinda do artista com o mesmo show! O mesmo tema de festa. E parece sempre que é a último show da vida de todos!
Talvez a falta de algo diferente ajude nessa acomodação do maranhense.
Talvez o medo dos produtores, que só pensam no lucro (e não dá para culpá-los pois é disso que vivem) também seja fundamental na nossa “riqueza cultural” de forró, axé, pagode e sertanejo.
Pois até quando fazendo algo “diferente” caem nos velhos baluartes da MPB (Música Popular Baiana) vide o tal Festival de Verão, que trouxe os já carimbados Timbalada e Cláudia Leite. Isto é, para trazer artistas que não costumam vir à nossa cidade, como Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii e Natiruts (banda de reggae que dificilmente vem à terra do reggae, curioso) precisam dos acima citados para que haja público.
Até porque é bem mais fácil e rentoso trazer o Chiclete com Banana que tem um público fiel e comparece aos shows do que uma Alanis Morissete para um público que reclama muito de não ter nada “diferente” e quando se depara com tal reclama que o ingresso é caro ou que vai para o show para ficar na porta do local.

A cena “alternativa” de São Luís é a mais “ativa” que conheço. É ótima para reclamar quando não tem e ótima para reclamar quanto tem.

Concordo que vivemos no Estado mais pobre da nação, que tesmo um IDH de dar vergonha e que não temos recursos para pagar R$25,00 ou R$50,00 num único show. Mas é justamente por isso que existe a economia de valores. Ora, em vez de se esbaldar todo fim de semana gastando seus três reais com cachaça, fique em casa ou vá conversar com os amigos sem beber. Afinal, você não é um dependente.
No mais é torcer para que as coisas mudem e que a “galera” comece a perceber que estamos andando numa esteira (talvez nem andando estejamos) e que há coisas além dos pandeiros, das violas, das sanfonas e dos atabaques.

E economizando eu sigo… e no Carnaval vou à Guaramiranga (CE) participar do Festival de Blues e Jazz e vou ver Iron Maiden, Morbid Angel, Heaven and Hell, Motorhead e marcar presença no WACKEN ROCKS BRAZIL (isso só no primeiro semestre).