Consumo e exclusão: a competição capitalista

27 mai

Rapidez. É onda da sociedade contemporânea. Tudo deve ser consumido o mais rápido possível e com maior rapidez. Traduzindo: você deve ter a coisa nova o quanto antes, para que quando ela se tornar obsoleta, você já poder ter a próxima geração do produto. Inerente a isso, nossa vida se resume ao acúmulo de riqueza para estar sempre dentro “da moda”. Moda aqui em sentido amplo, no sentido de que você deve estar antenado com as tendências.

Não é difícil pegar uma revista e ver como deve ser o comportamento para que você esteja inserdo dentro do contexto correto. Não é difícil também que a página que mostra o que é in está do lado da página que está out. E mais que isso, o página do out, por vezes, é um pouco mais extensa que a página do in. Isso se deve justamente pela ideia do capital de selecionar ainda mais seus consumidores, criando uma classe que será considerada à parte, ou melhor, uma classe que não faz mais parte.

Nesse sentido, busca-se a idealização do consumo. Do consumo desenfrado, do consumo maléfico, do consumo por consumir. É a ideia de nunca estar out que nos leva a procurar sempre ter ou fazer aquilo – se não ter ou fazer, pelo ser visto tendo ou ser visto fazendo.

É a indústria do consumo que cria, aí sim, o desperdício monetário. Uma vez que a aquisição é para ontem. “Como você ainda não tem?”. Muitas vezes é isso que gera a desconfortável dívida. Os cartões de crédito e as lojas de crediário adoram a publicidade do tenha logo, por um preciso camarada, pagando apenas um pouquinho por mês.

Essa rapidez com que as coisas fluem e com que nós devemos tê-las revela apenas o incessante e laborioso instrumento que o capital se utiliza para continuar seu processo de exclusão e o melhor meio sem dúvida é o consumo. Dentro desta perspectiva, o consumo é ferramenta motriz de um sistema que, apesar de viver em crise, se mantem sempre forte e com respaldo nos discursos das pessoas mais importantes do mundo, justamente porque a autoridade delas depende do interesse destas pessoas em continuar sendo autoridades, ou pelo menos, em ter autoritas em seus discursos.

O planejamento da sociedade parece sempre criar uma forma de excluir cada vez mais algumas pessoas. Somos cada vez mais divididos em duas classes: nós e eles. Quando se divide a sociedade assim queremos nós mesmos, então, que existam cada vez mais de nós e cada vez menos eles. Entretanto, um paradoxo aí se faz, pois quanto mais de nós houver, mais eles existirão, pelo simples fato de que há a necessidade de se criar sempre um antagonismo. Acho que o mais certo a se pensar, então, seria que devem existir menos nós. Mas aí, quem ia limpar o lixo?

A competição capitalista é sempre eliminatória, jamais classificatória.

Tu viu?

1) VALE  a pena?

2) Foi só meu pai deixar de torcer para o Fluminense… Eu SE rí dimais!

3) Agora o blog vai ter uma nova pequena seção como o “Tu viu?” e vai se chamar:

Lembranças e reminiscências:

- O dia em que o Chaves bateu no carro do Hulk.

Uma resposta para “Consumo e exclusão: a competição capitalista”

  1. Saulo 27 maio 2010 às 9:40 pm #

    L et R. Foi no dia que esqueceram o bebu veio.. Pela 2º vez!

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