Assistindo ao filme “This is it” (Kenny Ortega, 2009), aquele que mostra o Michael Jackson em sua preparação para a turnê que faria na Inglaterra, eu me peguei pensando em como as pessoas tendem a imortalizar os seus ídolos. No mais, o filme é um “making of” megalomaníaco, bem ao estilo do Rei do Pop, fácil fácil um extra em outro disco quando saísse o DVD do show (ou vocês acham que isso não iria acontecer?). Não é ruim, muito pelo contrário, vale a pena o ingresso.
Mas, o que eu pensava era em como a morte de um megastar pode gerar rios de dinheiro para as pessoas que montam todo esse circo. Todos lucram com a morte, menos o morto – que daria todo o seu dinheiro para descansar em paz.

A não morte preparada pela mídia e pelos oportunistas aumenta o ganho e revitaliza nas pessoas a ideia de que o artista não morreu, pois está vivo em nossas memórias, pois ele lutou para conseguir aquilo que sonhava e toda essa lenga-lenga do “lute por seus sonhos”. No caso de MJ não que ele não quisesse o show, aliás eu penso (e até falei pra JU) que ele iria fazer aqueles shows porque ele tinha crescido. A imagem infantil naquele momento era promovida mesmo só pela mídia, pois nas filmagens era fácil ver sua dedicação para os seus últimos shows. Era um artista profissional querendo mostrar seu trabalho e não uma mera celebridade querendo dinheiro para pagar as contas.
Não quero comentar sobre o filme, que nem status de documentário, drama ou comédia poderia ganhar – como dito acima é mais um grande “making of” da turnê. O que eu queria mesmo era refletir sobre essa necessidade de se manter a memória viva de alguém, por meio de lucrativos artifícios que mudam completamente a figura do artista.

Cena do filme O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet) de Ingmar Bergman, um diálogo com a morte
Todos falavam mal de Michael Jackson, ou que Elvis era um drogado, assim como Marilyn era uma prostituta, no entanto são imortalizdos como seres divinos e que devem ter sua vida seguida e adorada, pois eles venceram. Nós perdemos. Perdemos nossa oportunidade de viver como queremos, pois a nossa vida deve seguir o caminho de quem mais se dá bem na vida: celebridades. E aí surge todo tipo de coisa desagradável que você é obrigado a ver na TV, sob o rótulo de artista que venceu na vida, quando o muito que faz é balançar a bunda e tirar a roupa.
A morte do artista leva à morte do ser humano ordinário, que ganha mais um deus para reverenciar. seja pelo filme das suas últimas horas ou pela cera da Madame Tussaud haverá sempre uma cruz ou símbolo que move sua fé.
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Passou despercebido:
1) A garota vítima do falso moralismo da Uniban vai voltar às aulas. MEDO.
2) No Espírito Santo, os habitantes de uma pequena cidade entraram em confronto com a polícia depois que um policial matou uma criança de 11 anos.
3) Alguém entendeu o texto do FHC no jornal Zero Hora? Para mim foi uma tentativa frustrada de dizer: “Não vote na Dilma”.













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