… e aceitem a posição do outro.
O legado cristão em nosso país é de fato algo muito forte e expressivo em nosso cotidiano. Vira e mexe você se depara com um pequeno crucifixo ou imagem de um santo em uma repartição pública. Vamos deixar claro que aqui trataremos de âmbitos públicos em nosso país, pouco importa o que as empresas privadas fazem dentro do seu contexto filosófico e teológico, os privados podem, o público, jamais.
Já é consenso que o Estado por mais laico que se diga, laico não é. Dever-ser é uma coisa, ser é outra completamente diferente.
Recente (dia 03 de novembro) na Itália uma pessoa sentindo-se incomodada por crucifixos na escola pública de seu filho foi indenizada em 5.000 euros. Não sei até que ponto essa ofensa deveria ter sido indenizada para a pessoa, visto que isso é assunto de interesse público e não de uma única pessoa sozinha. Mais uma vez florece a discussão sober a separação Estado-Igreja (entendam Igreja como religião).
Nossa Constituição (a lei maior e mais desrespeitada do Brasil) diz que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”. Porque deixar de pagar um imposto porque a religião ou não-religião não aceita aí já é extrapolar a esfera da razão.
A ideia é que não parece justo e não parece racional colocar em toda esfera pública nos salões de sessões solenes, nas paredes de áreas comuns e áreas de uso geral figuras alusivas a um tipo de religião. A pessoa ter em sua mesa um santo que reverencia é inegavelmente um direito seu. Mas, daí a praticamente impor e mostrar explicitar uma forma de religiosidade não parece prudente.
O que aconteceria se o presidente de um tribunal fosse umbandista e colocasse no salão do plenário uma imagem de Exu com uma vela preta e uma oferenda à imagem?
Não é porque a maior parte da população segue determinado tipo de religião que o resto do povo deve ser submetido às mesmas convicções. Não se pode argumentar (não mais) que isso é uma democracia e o que prevalece é a vontade da maioria, basta ver pela eleição proporcional de deputados e vereadores, em nem sempre quem tem mais votos garante vaga numa cadeira de Câmara ou Assembléia.
Estado democrático (do povo) é aquele em que o povo/cidadão é respeitado em sua diferença, em sua convicção filosófica, teológica e qualquer outra lógica que siga, assim como o estado laico não é o estado sem religião e, sim, o estado que separa de suas decisões a relação com todo e qualquer tipo de vínculo religioso/divino. Isso também não importa uma guerra às religiões, apenas que cada um fique e atue dentro de sua esfera.
Garantir um estado democrático e laico é garantir que o cidadão poderá sair às ruas e gritar qual sua convicção, qual seu intuito no mundo e qual é o sentido de sua vida, sem que isso importe em olhares (até das autoridades) desconfiados e criminalizadores.
Deixem os crucifixos, mas aceitem minha oferenda à Exu, minha cabeça raspada, minha tatuagem, meu livro de Nietzsche e meu desktop com o Eddie.
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Passou despercebido:
1) Minhas férias estão chegando
2) É amanhã!
3) O Luciano do Valle chamando a Band de Globo. Tá caducando… eu sabia que ele tava caducando!





















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