Deixem as cruzes…

26 11 2009

… e aceitem a posição do outro.

O legado cristão em nosso país é de fato algo muito forte e expressivo em nosso cotidiano. Vira e mexe você se depara com um pequeno crucifixo ou imagem de um santo em uma repartição pública. Vamos deixar claro que aqui trataremos de âmbitos públicos em nosso país, pouco importa o que as empresas privadas fazem dentro do seu contexto filosófico e teológico, os privados podem, o público, jamais.

Já é consenso que o Estado por mais laico que se diga, laico não é. Dever-ser é uma coisa, ser é outra completamente diferente.

Recente (dia 03 de novembro) na Itália uma pessoa sentindo-se incomodada por crucifixos na escola pública de seu filho foi indenizada em 5.000 euros. Não sei até que ponto essa ofensa deveria ter sido indenizada para a pessoa, visto que isso é assunto de interesse público e não de uma única pessoa sozinha. Mais uma vez florece a discussão sober a separação Estado-Igreja (entendam Igreja como religião).

Nossa Constituição (a lei maior e mais desrespeitada do Brasil) diz que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”. Porque deixar de pagar um imposto porque a religião ou não-religião não aceita aí já é extrapolar a esfera da razão.

A ideia é que não parece justo e não parece racional colocar em toda esfera pública nos salões de sessões solenes, nas paredes de áreas comuns e áreas de uso geral figuras alusivas a um tipo de religião. A pessoa ter em sua mesa um santo que reverencia é inegavelmente um direito seu. Mas, daí a praticamente impor e mostrar explicitar uma forma de religiosidade não parece prudente.

O que aconteceria se o presidente de um tribunal fosse umbandista e colocasse no salão do plenário uma imagem de Exu com uma vela preta e uma oferenda à imagem?

Não é porque a maior parte da população segue determinado tipo de religião que o resto do povo deve ser submetido às mesmas convicções. Não se pode argumentar (não mais) que isso é uma democracia e o que prevalece é a vontade da maioria, basta ver pela eleição proporcional de deputados e vereadores, em nem sempre quem tem mais votos garante vaga numa cadeira de Câmara ou Assembléia.

Estado democrático (do povo) é aquele em que o povo/cidadão é respeitado em sua diferença, em sua convicção filosófica, teológica e qualquer outra lógica que siga, assim como o estado laico não é o estado sem religião e, sim, o estado que separa de suas decisões a relação com todo e qualquer tipo de vínculo religioso/divino. Isso também não importa uma guerra às religiões, apenas que cada um fique e atue dentro de sua esfera.

Garantir um estado democrático e laico é garantir que o cidadão poderá sair às ruas e gritar qual sua convicção, qual seu intuito no mundo e qual é o sentido de sua vida, sem que isso importe em olhares (até das autoridades) desconfiados e criminalizadores.

Deixem os crucifixos, mas aceitem minha oferenda à Exu, minha cabeça raspada, minha tatuagem, meu livro de Nietzsche e meu desktop com o Eddie.

Passou despercebido:

1) Minhas férias estão chegando

2) É amanhã!

3) O Luciano do Valle chamando a Band de Globo. Tá caducando… eu sabia que ele tava caducando!





Telemarketing (2)

25 11 2009

Depois de seis minutos de promoções e programações e ter escolhido a opção de tratar de assuntos sobre TV.

Atendente: Jet, Bom dia.

Eu: Bom dia. Ontem eu liguei para saber porque o sinal da TV saiu do ar e disseram que a conta não estava paga, mas ela está. Pedi para que retornasse o sinal e a Lia disse que ia reestabelecer, só que não funciona ainda.

Atendente: Senhor, peço que ligue daqui a quinze minutos pois esse setor só trata de assuntos relaciona a internet.

Eu: Mas no menu eu escolhi a opção de tratar de assunto de TV.

Atendente: Desculpe senhor, mas o setor TV, só abre a partir das nove horas. Peço que o senhor ligue daqui a pouco, só faltam quinze minutos.

Eu: Fazer o que se você não quer me atender…

Atendente: Mais alguma coisa senhor?

Eu: Eu queria resolver o problema na TV.

Atendente: Infelizmente aqui é internet, senhor.

Eu: Então tá bom. Tchau.

Quinze minutos depois.

Depois de quatro minutos e meio de propagandas e programações.

Atendente: Jet, bom dia.

Eu: Bom, é de assuntos relacionados a TV?

Atendente: Sim, senhor. Bom dia.

Eu: É que ontem eu liguei para saber porque o sinal da TV saiu do ar e disseram que a conta não estava paga, mas ela está. Pedi para que retornasse o sinal e a Lia disse que ia reestabelecer, só que não funciona ainda.

Atedente: Você poderia passar o número do contrato, telefone, nome e CPF?

Eu: Não vou comprar a operdora não, só quero o sinal de volta.
Atedente: Desculpe senhor não entendi.

Eu: Esquece. O contrato é… Meu nome é… O CPF é… e o telefone é …

Atedente (depois de um tempo em silêncio): Desculpe-a-demora-senhor-eu-verifico-aqui (respiração profunda) que o senhor tem uma fatura em aberto e que houveuma solicitação de reativação do sinal.

Eu: Pois é. A fatura está paga desde o começo do mês e ontem eu liguei para pedir a reativação, mas até agora a TV ainda não funciona.

Atedente: Senhor, eu farei um reforço de sinal para a reativação.

Eu: Obrigado.

Atendente: O sinal foi reestabelecido, senhor.

Eu: Bem, eu não tenho como saber porque já estou no trabalho e quando eu chegar em casa eu vou ver, qualquer coisa eu ligo de volta.

Atendente: Mais alguma coisa senhor?

Eu: Eu quero o número do fax para mandar a fatura paga para vocês darem baixa nesse sistema aí.

Atendente: Pois não senhor só um momento (acho que ela era nova e ainda não sabia o número)…(Silêncio)… Senhor, o número é …

Eu: Obrigado. VOu mandar agora mesmo.

Atendente: Mais alguma coisa senhor?

Eu: Não. Só isso mesmo. Obrigado.

Atendente: O senhor não queria estar aproveitando a oportunidade para estar fazendo a adesão ao nosso plano de internet de 2MB de acesso ilimitado por apenas …

Eu: Não obrigado, eu não tenho computador em casa.

Atendente: Mas, o senhor poderia estar fazendo essa adesão agora para quando o senhor comprar o seu computador já vai estar com a internet em casa e não precisará ligar. É uma economia de tempo.

Eu: Não tenho planos de comprar um computador agora.

Atendente: As promoções de fim de ano estão chegando.

Eu: Ainda assim, não tenho planos. Vocês estão ganhando comissão em cima de cada adesão que vocês conseguem, é isso?

Atendente: Não entendi, senhor. Desculpe a ligação ficou ruim.

Eu: Esquece. Era só isso mesmo. Muito obrigado, quando eu chegar em casa se o sinal não estiver funcionando eu ligo de novo.

Atendente: Quando o senhor chegar em casa já pode estar com uma conexão super rápida e com acesso a conteúdos exclusivos do assinante Jet.

Eu: Mas eu já disse que não tenho computador em casa e não estou interessado e não tenho planos de comprar um computador.

Atendente: Mas as promoções …

Desligado.





Tecnologia? Para ricos, sim. Para pobres, talvez

24 11 2009

Cheguei cedo no trabalho e achei uma Revista Veja dando bobeira, a dessa semana, com a capa do filme do Lula. São 7:30 da manhã e dificilmente chega alguém nos próximos trinta minutos e esse texto nem vai demorar tanto para ser escrito.

Não leio a Veja, quando muito vou folheando e lendo alguma coisa que porventura não tenha o cunha político que só a Veja entende como imparcialidade. A sessão de comentário de livros, CDs e DVDs é bem bacaninha. Outra coisa que me desagrada é o fato da semanal ter quase duzentas páginas e mais da metade delas ser de publicidade.

Dessa vez a Veja bateu o recorde comigo, já na página 28, não se enganem, na página 28 está apenas a segunda seção com conteúdo (depois da entrevista). Passei pelas páginas amarelas, aquelas das entrevistas que são intercaladas no melhor da fala do entrevistado por uma publicidade de duas páginas. O entrevistado Adolfo Pérez Esquivel e a entrevista valem a leitura e o incômodo dos informes, talvez a Veja não esperasse por certas coisas que ele disse.

Mas o que me chamou a atenção foi o arremedo de ensaio do barbudinho Claudio de Moura Castro entitulado “Tecnologia para ricos ou pobres?” (Veja, 21/11/2009). Citando Marx e Dickens, o ensaista (como ele se autodenomina) faz uma espécie de digressão sobre o acesso do pobre à tecnologia.

Diz que o pobre tem mais acesso a celulares e computadores, como se tecnologia fosse só isso. Tudo bem que o pobre tenha mais acesso a produtos de informática, mas daí a dizer que a tecnologia já chegou na mão das classes menos favorecidas é outra coisa completamente diferente. Não basta dizer que a simples posse de um produto desses venha a ser um acesso garantido, muitos compram apenas pelo status e se usam de promoções que ou não tem como pagar a prestação depois de um tempo, ou não podem pagar a conta ou manutenção do objeto.

O Sr. Claudio (mantenho aqui o respeito por ser alguém mais velho) afirma que hoje um jovem empegado consegue ter uma motocicleta “desfrutando da incrível liberdade oferecida por ter seu próprio veículo”. Acho que ele esqueceu de pesquisar quantos desses jovens são motoboys, mototaxistas que trabalham sob a pressão intensa de um trânsito caótico. Veja quantos são habilitados (assim, com carteira) para pilotar a motoca? No interior do Brasil, quase nenhum.

Para a música ele lembra que o mp3 já é uma realidade e que o alto preço dos CDs pode ser tangenciado pelos downloads, e os garis e empregadas passam com seus fones todos fagueiros (expressão que ele deve ter conhecido no dia que escreveu o texto, pois se utiliza dela duas vezes). Como se o gari e a empregada doméstica não tivessem o direito de ouvir música em um fone de ouvido e que isso necessariamente não importa se tenha um mp3 player, pode ser inclusive um celular.

Sobre a questão do acesso a internet em relação à cultura, o Seu Claudio lembra que não precisa haver livraria em um município já que “há Amazon.com e suas versões caboclas”, como se o pobre que já comprou o celular, a moto e o computador, ainda tivesse alguma reserva para comprar um livro ainda mais na Amazon, como se o pobre tivesse acesso a um curso de inglês. Além disso, nem comprar livro precisa comprar mais já que grande parte de obras pode ser lida gratuitamente pela internet, pois o pobre tem muito tempo para ficar uma hora lendo um texto na telinha, ou papel suficiente para imprimir o conteúdo. Infelizmente, seu ensaio não está disponível para qualquer um na rede, apenas para os assinantes da revista. Mas, podemos ter acesso ao texto, “com um pouquinho de astúcia, sem gastar nada”.

Seu Claudio, ele mesmo escreve, que sua intenção não é desmerecer o pobre e não desmerece, e até dá algumas mostras (distorcidas é bem verdade) de que a tecnologia “traz benefícios para o povão”.

No final, quando você pensa que a discussão irá bem longe, quando as verdadeiras e oportunas perguntas são feitas, o texto acaba. Talvez a próxima edição da revista traga a resposta.

Passou despercebido:

1) A Revista Veja de 21/11/2009, não se resume ao texto criticado. Há outros assuntos que dá para rir um bocado (e se espantar).

2) A PEC 341/2009 quer retirar o art. 225 da Constituição. O que isso significa? Meio ambiente desamparado, só isso. Nem é importante.

3) Faltam 3 dias!





O mau civilizado e o bom selvagem

23 11 2009

Alguém veio comentando no ônibus que não conseguia entender porque o Sting chamou um selvagem com um prato na boca: um índio, o cacique Raoni, da tribo Xingu e que, além disso, não entendia como esses malditos tinham algum direito. Eu comecei a rir e ele me olhoucom uma cara de “olha o defensor dos fracos e oprimidos”. Longe de mim querer ser um Batman, mas não contive o riso, por causa do discurso hipócrita da maioria de nós, brasileiros. Falo ainda mais por nós, nordestinos.

É bem fácil você observar alguém do sul do país perguntar se aqui no Nordeste acessamos internet de cima de nossas árvores ou como conseguimos ser fluentes em língua estrageira. Porém, o mesmo faz o nordestino quando pergunta o que um índio manter um site, dizendo que é mais capitalista e degrada a sua própria cultura.

Essa ideia etnocentrista permeia nossa cabeça, imposta por um modelo que renega qualquer coisa estranha às nossas “verdades”, é que faz com que essa concepção de cultura correta e de selvageria seja tão disseminada.

Quem disse que cultura deve ser algo estanque? Quem disse que o fato de ser índio implica em ser analfato? Só nós, os civilizados, é que temos o direito de acessar internet? (Seja de cima de nossas árvores ou dos arranha-céus?)

O fato de pertencer a um modelo de “civilidade” diferente não quer dizer que uma cultura é superior, tampouco melhor. O fato de um índio não aderir ao modelo de acumulação de bens que nossa sociedade mantem, não o coloca de fora de um mundo. O fato de um índio adorar vários deuses não quer dizer que ele não possua “alma”. Essa ideia também é colocada de civilizado para civilizado, na qual um determinado estado ou região é mais desenvolvido e humanizado que outros. É como quando ouvimos que o nordestino é preguiçoso e por isso a região está nessa situação (aí é outra história).

Lembremos que nem todos seguem o mesmo padrão de vida que acostumamos a ter. O índio (ou nordestino do interior) arma sua rede no meio da tarde, simplesmente porque o seu dia teve um fim: suas atividades estão prontas e acabadas. Para que trabalhar mais se aquilo que ele precisa para o dia já está pronto? Como buscar algo mais que o próprio meio não lhe oferece – que aldeia ou cidade do interior oferece um curso técnico ou superior de qualidade?

Cabe questionar este tipo de coisa, justamente porque esse etnocentrismo barato é que limita nossa compreensão de como se dão as relações de poder de uma sociedade para outra, aquela idiotisse de que o “mais civilizado” deve sempre prevalecer e mostrar a verdade para o “selvagem”. É por isso que não damos conta e reagimos com asco quando os índios irrompem contra os brancos com facões afiados ou quando o nordestino se amontoa em favelas para roubar do cidadão de bem. É por isso que grandes latifundiários desmarcam reservas sob o argumento de que uma área que só tem árvores e animais selvagens é impordutiva.

A dança capitalista é macabra.

Passou despercebido:

1) Obama é favor da legalização (pelo menos para uso medicial).

2) Faltam 4 dias.

3) Uma rádio de respeito





Dica de música

21 11 2009

Música: Long Tall Sally
Artista: Cactus
Ano: 1969 (se não me engano)

Original escrita por Robert Blackwell, Enotris Johnson e Richard Penniman, intrpretada por Little Richard no disco Here’s Little Richard, de 1957. Já foi gravada também pelos Beatles e o Blind Guardian fez uma versão em que faz um pout-pourri com a música “Barbara Ann” dos Beach Boys.

Original
Versão – Beatles
Versão – Cactus

I’m gonna tell Aunt Mary ’bout Uncle John
he said he had the misery but he got a lot of fun
Baby, yeah now baby
Woo baby, some fun tonight

I saw Uncle John with Long Tall Sally
he saw Aunt Mary comin’ and he ducked back in the alley
Oh, baby, yeah now baby
Woo baby, some fun tonight

Well Long Tall Sally’s built pretty sweet
She got everything that Uncle John need
Baby, yeah now baby
Woo baby, some fun tonight

Well, we’re gonna have some fun tonight
have some fun tonight
Everything’s all right
have some fun tonight
have some fun
yeah, yeah, yeah,
We’re gonna have some fun tonight
have some fun tonight
Everything’s all right
have some fun tonight
Yeah, we’ll have some fun
some fun tonight





Pelé, o gol mil, a ditadura e a magia do futebol

20 11 2009

Ontem (19/11) todo meio de comunicação que você ligava parecia ter voltado no tempo, com gravações de rádios AM de 19 de novembro de 1969, narrando um gol de pênalti em preto e branco. O jogador e gol em questão? Pelé e seu gol 1000. Mas, porque tanta mísitica em cima de um gol? Tá certo que é o Pelé, que com a bola nos pés foi o melhor, tá certo que ninguém até 2007 havia feito mil gols na carreira e que foi um momento histórico no futebol mundial, quiçá intergalático.

Mas uma questão pouco vem à tona quando comemoramos o aniversário do gol de Pelé.

O ano era 1969. Estávamos sobre a égide de uma Lei de Imprensa duríssima e limitadora (aquela do diploma, que foi declarada não recepcionada pela Constituição neste ano) além do famigerado AI-5. Falar de política e economia em jornais era o mesmo que dizer para um padre que Satan é o verdadeiro pai. As músicas tinham que ser extremamente criativas para passar pelo crivo de um comitê de censura. Enfim, era um tormento passar qualquer informação e restava falar do que todo brasileiro ama: futebol.

Tudo girava em torno do tal gol, esqueceram torturas e atitudes antidemocráticas. Até a torcida do Bahia vaiou seu zagueiro Nildo como se ele fosse um dos generais que impedia a diversão do povo. Aos jornalistas cabia sua presença em todos os treinos e jogos do Santos até que o tal gol fosse marcado.

De que forma a Ditadura se aproveitou do fato?

Como dito, os coronéis de terno e gravata viram que a paixão brasileira pelo futebol podia apagar e abafar qualquer coisa que o ferisse em sua honra. Ninguém sentia falta de liberdade de expressão se podia ir ao estádio e torcer pelo seu time e ver um gol. A mídia, que talvez não fosse tão do jeito que é, acabava cedendo à essa paixão, acho que muito mais pela legislação do que pela vontade. Basta lembrar que em 1958 e 1962, as notícias sobre a Seleção Brasileira na Suécia e no Chile, respectivamente, demoravam um certo tempo para chegar. Pelé chegou a comentar que Seu Dondinho demorou dois dias para saber que o filho tornara-se campeão.

A Seleção já era uma realidade nacional, mas faltava mais paixão, faltava estar mais perto daqueles que representavam a pátria com a chuteira. O que fez a Ditadura? Uma enorme festa, embalados pelo gol mil, para que todos torcecem pela Seleção Canarinho em 1970. Era a pátria de chuteiras, era a expressão maior do nacionalismo brasileiro. Ainda é. Tanto é que hoje vemos o resquício dessas atividades de “pão e circo”, a cada quatro anos, em pelo menos três dias do mês de julho somos dispensados do trabalho e da escola para ver a Seleção, para torcer pelo Brasil – e olha que coisa mais engraçada. Torcemos não pela Seleção Brasileira, torcemos para “o Brasil”, queremos ver “o Brasil” ganhar.

Gosto de Copa do Mundo, e muito. Mas não é essa a questão.

A ditadura não fazia mensagem subliminar para apologia do futebol e esquecimento dos problemas do Brasil, era super/ultra liminar mesmo. O Capitão Cláudio Coutinho era o preparador físico e o Brigadeiro Jerônimo Bastos era chefe da delegação. Até hoje os governantes usa o futebol para alterar a visão sobre o país. Lembrem-se que depois da conquista de 1970 o Presidente Emílio Garrastazu Médici, o General, fez embaixadas sob os aplausos dos babões. Como um homem desse podia ser acusado de liberar torturas?

Aquele dia 19 de novembro de 1969 foi um marco para o mundo, aliás o ano de 1969 foi um marco para o mundo: chegada na lua, os grandes festivais, revolução sexual etc.

No Brasil, especialmente, esquecemos que os cinco anos anteriores e os dezesseis anos posteriores ainda guardariam muitas e muitas lutas.

Passou despercebido:

1) Edwin “Buzz” Aldrin, o segundo homem a pisar na lua, logo após Neil Armstrong está no Brasil, para conversas sobre aquela viagem.

2) Ô Henry, se liga, frère. La main de dieu? Il fasse me faveur.

3) Hoje é a premiação do II Encontro de Iniciação Científica da UNDB. Não vamos ganhar, mas só a publicação do trabalho é um ótimo prêmio.

4) Tem gente que diz que o Johnny Cash cantava country, outro dizem que era blues e outros ainda diziam que era folk, eu digo que ele cantava lamentos… e que belos lamentos.