Art. 124 – Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena – detenção, de um a três anos.
O aborto ainda é considerado crime pela nossa legislação e isso faz com que muitas pessoas ainda se sintam ameaçadas e retraídas quando o assunto vem à tona, seja pela própria tipificação legal ou pela religião, ainda é tabu. Carla Gallo não teve medo.
Uma menina de 13 anos vítima de estupro, uma mulher que vê seu filho em má formação durante sua gestação, uma mulher casada e submetida a humilhações pelo marido, uma mulher que apenas achava que não era a hora de ter filhos, o que elas tem em comum? Todas abortaram. Esta é uma sinopse mal gerada, assim como os filhos das mulheres que estão no filme O Aborto dos Outros, de Carla Gallo (2008). O filme, com pouco mais de uma hora de duração, é uma ação pró-aborto e que tenta mostrar a ótica da mulher em uma situação de aborto através de depoimentos das próprias mulheres e de médicos, juízes e defensores do aborto.
A primeira cena, uma menina de 13 anos que foi estuprada a caminho da escola e fica grávida em decorrência é só a porta de abertura para um universo que muitas vezes rejeitamos e até mesmo nos vendamos diante, até chegarmos ao absurdo de algemar uma mulher na cama, sem codições nem de ir ao banheiro, por um aborto que fez.
Sem poder mostrar o rosto da maioria das entrevistadas, Carla Gallo usa artifícios com a câmera que não deixam o filme transcorrer despercebido e muito mais que “se utilizar de arte cinematográfica vagabunda” como alguns criticam certas tomadas desafiadoras do cinema brasileiro, a diretora implanta metáforas que talvez o olho mais treinado não perceba. A grade da cama para cobrir o rosto de uma paciente com o parto já induzido pelo médico, o áudio de um depoimento ligado a uma torneira pingando (que para mim é a metáfora mais bem feita, como se os pingos fossem o número de abortos que acontecem), os desenhos da criança estuprada são alguns elementos utilizados com prudência pela diretora.

Tratando do aborto em si, Carla Gallo não o coloca como algo bonzinho e útil na vida da mulher. O filme por ser defensor do aborto poderia até ser menos triste e não mostrar tanto o sofrimento feminino, mas aí a película cairia na mesma hipocrisia da sociedade brasileira frente a assuntos considerados tabus (como prostituição e eutanásia) e é esse o ponto.
Antes de tratar o aborto em sim, o filme tenta mostrar como é tratada a mulher em nossa sociedade. Ainda submissa uma mulher conta como era humilhante pagar a promessa que fizera ao marido para que este saísse de casa: fazer sexo com ela durante um mês, toda vez que ele quisesse.
O filme é forte sem ser agressivo, é triste sem ser melodramático. Vale a pena tirar uma hora do seu dia para pensar a respeito de um assunto ainda tratado com tão pouca maturidade pelas e pessoas e pelas autoridades.
A crítica é apenas em relação ao tempo que é pequeno (mas muito bem usado) não vai à fundo nas questões referentes ao aborto e restringe a opinião de quem fala no filme à apenas algumas frases, por mais que contundentes, poderiam se enlarguecer e enaltecer o debate. Mas, se a intenção era apenas mostrar o sofrimento feminino e o que leva ao aborto, o tempo ficou de bom tamanho.
Legal que eu achei esse filme numa 100% Video, no meio dos lançamentos blockbusters. Ponto positivo para a locadora. O site do filme é http://www.oabortodosoutros.com.br e você pode assistir o trailer e ler textos sobre aborto e direitos humanos.


Ao perceber que estariam “vendo de perto” esse tipo de coisa, começou a migração para o Twitter. Agora, os fãs estão mais pertos de seus ídolos, sabem o que estão fazendo, na hora que estão fazendo. Gera uma sensação de poder sobre o ídolo. Afinal, eu sei o que você está fazendo. O Twitter possibilita, inclusive essa interação fã/ídolo e a facilita, basta escrever @ seguido do nome de usuário do famoso e a mensagem logo em seguida e o que lhe separa da Xuxa, por exemplo, é só um Enter. Não é difícil entrar no perfil de qualquer celebridade e perceber mensagens otimistas de um fã esperando por uma resposta: “@fulano olá, adoro seu trabalho”, “bela foto @beltrano”.




















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