O aborto dos outros, Carla Gallo (2008)

31 08 2009

Art. 124 – Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena – detenção, de um a três anos.

O aborto ainda é considerado crime pela nossa legislação e isso faz com que muitas pessoas ainda se sintam ameaçadas e retraídas quando o assunto vem à tona, seja pela própria tipificação legal ou pela religião, ainda é tabu. Carla Gallo não teve medo.

Uma menina de 13 anos vítima de estupro, uma mulher que vê seu filho em má formação durante sua gestação, uma mulher casada e submetida a humilhações pelo marido, uma mulher que apenas achava que não era a hora de ter filhos, o que elas tem em comum? Todas abortaram. Esta é uma sinopse mal gerada, assim como os filhos das mulheres que estão no filme O Aborto dos Outros, de Carla Gallo (2008). O filme, com pouco mais de uma hora de duração, é uma ação pró-aborto e que tenta mostrar a ótica da mulher em uma situação de aborto através de depoimentos das próprias mulheres e de médicos, juízes e defensores do aborto.

A primeira cena, uma menina de 13 anos que foi estuprada a caminho da escola e fica grávida em decorrência é só a porta de abertura para um universo que muitas vezes rejeitamos e até mesmo nos vendamos diante, até chegarmos ao absurdo de algemar uma mulher na cama, sem codições nem de ir ao banheiro, por um aborto que fez.

Sem poder mostrar o rosto da maioria das entrevistadas, Carla Gallo usa artifícios com a câmera que não deixam o filme transcorrer despercebido e muito mais que “se utilizar de arte cinematográfica vagabunda” como alguns criticam certas tomadas desafiadoras do cinema brasileiro, a diretora implanta metáforas que talvez o olho mais treinado não perceba. A grade da cama para cobrir o rosto de uma paciente com o parto já induzido pelo médico, o áudio de um depoimento ligado a uma torneira pingando (que para mim é a metáfora mais bem feita, como se os pingos fossem o número de abortos que acontecem), os desenhos da criança estuprada são alguns elementos utilizados com prudência pela diretora.

O aborto dos outros

Tratando do aborto em si, Carla Gallo não o coloca como algo bonzinho e útil na vida da mulher. O filme por ser defensor do aborto poderia até ser menos triste e não mostrar tanto o sofrimento feminino, mas aí a película cairia na mesma hipocrisia da sociedade brasileira frente a assuntos considerados tabus (como prostituição e eutanásia) e é esse o ponto.

Antes de tratar o aborto em sim, o filme tenta mostrar como é tratada a mulher em nossa sociedade. Ainda submissa uma mulher conta como era humilhante pagar a promessa que fizera ao marido para que este saísse de casa: fazer sexo com ela durante um mês, toda vez que ele quisesse.

O filme é forte sem ser agressivo, é triste sem ser melodramático. Vale a pena tirar uma hora do seu dia para pensar a respeito de um assunto ainda tratado com tão pouca maturidade pelas e pessoas e pelas autoridades.

A crítica é apenas em relação ao tempo que é pequeno (mas muito bem usado) não vai à fundo nas questões referentes ao aborto e restringe a opinião de quem fala no filme à apenas algumas frases, por mais que contundentes, poderiam se enlarguecer e enaltecer o debate. Mas, se a intenção era apenas mostrar o sofrimento feminino e o que leva ao aborto, o tempo ficou de bom tamanho.

Legal que eu achei esse filme numa 100% Video, no meio dos lançamentos blockbusters. Ponto positivo para a locadora. O site do filme é http://www.oabortodosoutros.com.br e você pode assistir o trailer e ler textos sobre aborto e direitos humanos.





Um passarinho azul me contou

28 08 2009

Esqueça os scraps, esqueça os testimonials, alguém que queira lhe deixar uma msg irá lhe mandar agora um reply ou uma direct mensage. Você não terá que add, você irá seguir. Você não terá mais amigos, terá followers. Isso porque a bola da vez é o Twitter.twitter

O Twitter é a rede social do momento, assim como o orkut o era até bem pouco tempo, assim como o mIRC o foi nos primórdios internéticos. Para os mais leigos e desinformados o Twitter é uma ferramenta que se assemelha a um miniblog, no qual você pode escrever mensagens com até cento e quarenta caracteres sobre o que quer que seja. Mas, o que tornou o Twitter tão fenomenal? O que faz esse site tão limitador e limitado se tornar uma das mais utilziadas ferramentas da web?

Nos primeiros meses da criação do Twitter era comum que apenas pessoas com certo grau de definição de web e da ideia de rede social frequentassem o site. Mas, a coisa tornou proporções épicas principalmente depois da explosão de followers do ator americano Ashton Kutcher, que tem mais de um milhão de pessoas vendo as coisas que ele escreve.

Ao perceber que podiam estar perto do fãs, mas não junto com eles, as celebridades e subcelebridades nacionais aderiram à ferramenta. Uma coisa puxa à outra e hoje já se pode dizer que esteja havendo a orkutização do Twitter. Chama-se orkutização, por causa da abertura do site, o acesso livre cria uma série de bizarrices e idiotologias.

twitter1

Vamos do começo. Porque as celebridades pululam no Twitter? Pânico, CQC, Luciano Huck, Marcos Mion, Rubens Barrichelo e a até a Xuxa estão na onda do passarinho. Seria o fim da figura do assessor de imprensa? Claro que não. Mas, a ideia das celebridades é viver um pouco a própria vida, falar coisas que ela mesmo pensa, mas isso se torna uma armadilha quando se tem apenas cento e quarenta caracteres para se manifestar. Não raro, acontecem picuinhas, chiliques e fanquitos entre os famosinhos. O Luciano Huck já digitou que adorava o CGC e Marcelo Tas e o resto da trupe não perdoaram. O repórter Vesgo já falou que a segunda ocorrência para Twitter no google era o site do Rubinho, que revidou à altura, diga-se de passagem. A última foi a Xuxa: deixou o PC ligado e a Sasha disse que estava se preparando para uma sena(sic), o que gerou um destempero da Rainha dos Baixinhos, mostrando que tipo de mãe ela é. Outras ocorrem o tempo todo, basta estar ligado.

twitter_bluebirdAo perceber que estariam “vendo de perto” esse tipo de coisa, começou a migração para o Twitter. Agora, os fãs estão mais pertos de seus ídolos, sabem o que estão fazendo, na hora que estão fazendo. Gera uma sensação de poder sobre o ídolo. Afinal, eu sei o que você está fazendo. O Twitter possibilita, inclusive essa interação fã/ídolo e a facilita, basta escrever @ seguido do nome de usuário do famoso e a mensagem logo em seguida e o que lhe separa da Xuxa, por exemplo, é só um Enter. Não é difícil entrar no perfil de qualquer celebridade e perceber mensagens otimistas de um fã esperando por uma resposta: “@fulano olá, adoro seu trabalho”, “bela foto @beltrano”.

Ao entrar no Twitter, fácil fácil uma celebridade angaria de setenta a cem mil seguidores em um dia. Não que todos os seus seguidores sejam fãs, apenas seguem para estar atento à bizarrice que irá acontecer.

Agora você não precisa mais esperar o passarinho azul te contar aquele babado, porque você pode estar do lado dele e presenciar por si mesmo.





Quadrinhofobia

26 08 2009

A gente tem algumas preferências na vida, algumas são criticáveis, outras criticadas. Eu tenho um apreço muito grande por quadrinhos, não da Turma da Mônica ou do Batman, mas de coleçoes e livros que às vezes ganham o nome de graphic novels. Quando pequeno eu lia mais X-Men e outros heróis Marvel, a DC Comics (que lançou Batman, Superman e Liga da Justiça) nunca me chamou a atenção, a não ser pelo Dark Knight, sim a sequência que virou inclusive filme. A DC Comics tinha uma espécie de selo alternativo, o Vertigo, e era por este selo que saíam as estórias que marcaram minha paixão por quadrinhos, como Constantine, V de Vingança, 100 Balas e Sandman, entre outros. Isso sem citar outras editoras brasileiras, como a Panini e a Devir que lançam ótimas obras para quem é fã de um mercado pouco explorado no Brasil.

Quadrinhofilia, de José Alencar (HQM Editora), um ótimo começo para quem tem medo de ser visto andando com uma estória quadricualda

Quadrinhofilia, de José Alencar (HQM Editora), um ótimo começo para quem tem medo de ser visto andando com uma estória quadricualda

Leio quadrinhos porque entendo como Literatura. Quando chego na sala de aula com uma revista ou um livro em quadrinhos sou muito criticado e às vezes chamado de criança e débil mental. “Ah, porque história em quadrinhos é coisa de criança e débil mental”, aprendi a abstrair esses comentários, que me parecem ser bem mais infantis. As pessoas, principalmente no Brasil, tendem a não perceber a arte por trás de uma estória desenhada, toda trabalhada e bem com roteiro bem definido.

Engraçado é que o brasileiro já não tem cultura de leitura e, querendo ou não, estórias em quadrinhos facilitam a assimilação e proporcianam o que seria a criação do hábito de ler, por que não? Às vezes, o velho clichê da imagem que vale mais que mil palavras é bem colocado nesse contexto.
O Eisner, em homenagem ao mestre Will Eisner, é o Oscar dos quadrinhos, mas um seguimento da literatura não tem seu próprio prêmio específico, não se observa um prêmio só para livros de terror ou dramas, é o Pulitzer e pronto.

image001

Monografia de Nildo Viana

Porque não se coloca quadrinho como literatura? Pelo simples fato de ser algo mais acessível, alguns dizem, outros admitem que parece ser coisa de criança e infantilóide, alguns outros já defendem que simplesmente é coisa de quem não tem criatividade para escrever com palavras um roteiro de desenvolvimento de uma estória. No entanto, penso que todos os argumentos são pseudointelectuais e são os mesmo que dizem ser Lya Luft e Paulo Coelho os melhores autores nacionais da atualidade.

No Brasil, ainda sofremos com paradoxos por parte das escolas e da crítica da sociedade. Já que é coisa de criança, não admitem algumas estórias em quadrinhos para algumas crianças e enfiam goela abaixo um José de Alencar ou Aloísio de Azevedo, sem nem saber o que isso criará na mente infantil.

Coisa de criança não é para criança, coisa de criança é para retardados mentais e temos que submetê-las a programas imbecis e leituras burras.
Seninha, Xuxinha, Turma da Mônica, e outra de estórias poderiam ser perfeitamente adotadas pelas escolas e deixemos o Machado, o Saramago para depois, para quando a criança realmente se sentir livre para ler, sem os grilhões da obrigação de passar no vestibular.





Hosmany e os mano

25 08 2009

Lembrei agora da reportagem do Fantástico sobre o Hosmany Ramos e sua prisão na Islândia em que ele fala mil maravilhas sobre o tal presídio e sobre a atuação da política criminal do lugar. Claro que não podemos nos comparar com um país em que a desigualdade social é um dos problemas mínimos a serem resolvidos. Fiquei na hora imaginando como as pessoas estavam reagindo a esses comentário do cirurgião: “um homem desse tinha que levar uma surra”, “televisão e internet pra bandido?”, “tinha que colocar ele numa cela cheinha de gente que nem ele, pra ele sentir a pressão”.

“a comida é de primeira. Você tem máquina de lavar roupa, secadora. Você tem televisão que o próprio governo dá. Eu tenho computador na minha cela para que eu posso acessar. São duas horas de internet por dia. Então, é outro mundo”

“a comida é de primeira. Você tem máquina de lavar roupa, secadora. Você tem televisão que o próprio governo dá. Eu tenho computador na minha cela para que eu posso acessar. São duas horas de internet por dia. Então, é outro mundo”

Não há como negar que se pode, até certo ponto, dar razão às palavras de Hosmany. Não que ele zombe da polícia e da política criminal do Brasil, enquanto vive em um país totalmente diferente do seu país natal. Mas há de se convir que nosso sistema prisional em quase nada pode reabilitar ou reeducar uma pessoa – expressões um tanto quanto equivocadas, pois não há como reeducar alguém que nem foi educado.

Alguns ainda caem em um discurso do século XIX, dizendo que isso é doença e que só a morte ou prisão perpétua para dar jeito. Outros ainda caem em um discurso mais antigo e seguem o olho por olho, dente por dente. Não raro observa-se comentários sobre como tratar quem roubou uma carteira ou o som do seu carro.

É revoltante? Claro que é. Ninguém gosta de ter o seu patrimônio afetado, ninguém gosta de não poder usar uma coisa por medo de perdê-la, mas daí a agir da mesma forma (ou pior) que aquele que atingem seu patrimônio não parece ser algo coerente para quem quer a moralidade do indivíduo brasileiro.

Quando um sistema prisional se vangloria de prender várias pessoas por dia, não importando qual a relevância do crime cometido, algo está errado. Com a ajuda dos veículos de comunicação, que transoformam a criminalidade em um freakshow, aumentando a sensação de insegurança da população. Daí porque um bloco inteiro de notícias nos telejornais, ou uma seção interia nos jornais impressos serem destinados às desgraças do cotidiano.

O aumento do número de presos só aumenta o descaso das autoridades frente aos direitos do ser humano, basta observar as condições de vivência em uma cela que comporta até três pessoas e ocupada às vezes por até quinze. Novamente, caímos na mesma premissa do começo do texto, como reeducar quem nem é educado, ainda mais nas condições que temos em nossos “cadeiões”?

O sistema prisional brasileiro abriga 469 mil detentos, mas o número de vagas disponíveis no país é suficiente para 299 mil presos.

O sistema prisional brasileiro abriga 469 mil detentos, mas o número de vagas disponíveis no país é suficiente para 299 mil presos.

Frente a esta estrutura formada pelas ideologias dominantes o Brasil adotou postura passiva no que diz respeito à dignidade da pessoa humana e relega à condição de desocupado, bandido e marginal, pois o desempregado não tem condições de bancar o que o próprio Estado diz que é sua garantia. Sem trabalho além das relações básicas de consumo o indivíduo não tem acesso à saúde, ensino e moradia de qualidade, motivo pela qual, na maioria das vezes, se vê no mundo do crime.

O que justifica não ter condições de comprar um quilo de feijão para o almoço ou o pão do café da manhã? O que justifica desviar milhões dos impostos pagos?





O poder do apito

24 08 2009

No futebol poucos tem uma atenção redobrada em relação à sua atuação quanto o árbitro e seus auxiliares. Essas três pessoas, às vezes, chamam mais a atenção do que os craques dos times que disputam a partida. Muitas vezes preferimos comemorar uma falta bem marcada a um belo lance do jogador.

Essa figura que antes vestia o preto clássico (e hoje usa até laranja fosforecente ou verde vaga-lume) fica é o centro da discórdia e das mesas redondas do domingo à noite e da segunda-feira no trabalho.

Foi penalti mesmo? Impedimento? etc etc. Isso é só para começar a discussão. A coisa desanda até o fim do dia e as discussões são sempre calarosas e com argumentos plausíveis e contundentes.

arbitro

Posso ser xingado e talvez agredido, mas não podemos esquecer que a pessoa que está lá é ser humano como eu e você que discutimos as bizarrices que percebemos pela TV. Ora, muito cômodo para todos que assistem e para os comentaristas dizer que a “regra é clara” quando temos à nossa disposição várias câmeras de todos os tipos e efeitos possíveis para saber se a falta, o impedimento ou o penalti aconteceram, ou mesmo se a bola entrou, se o goleiro andou. Essa nossa cítica aos árbitros de futebol pelas “idiotisses” que marcam ou deixam de marcar é muito mais pela raiva sentida de por termos sido garfados, por não obter o êxito da vitória, por ter perdido o campeonato.

Algumas pessoas defendem o uso da tecnologia para ajudar o juiz de futebol no que tange à marcação de impedimentos, bolas fora ou dentro. Mas, penso que isso tiraria toda a magia da interpretação, da pessoa, do ser humano como parte atuante do futebol. Talvez a ideia de imparcialidade da tecnologia seja um argumento forte para que se use, mas isso tiraria o aspecto humano das decisões e geraria só mais conformismo e comodidade quanto à formação dos árbitros brasileiros.

Somos assim porque não suportamos as injustiças, mas somos nós mesmos uito injustos. O juiz de futebol é o legitimado para estar ali com o apito e a ele cabe decidir se foi gol ou não. O árbitro é o “dono da bola” e para isso estudou, fez o curso, levou a sério a ideia de mediar o espetáculo que todos nós amamos. Se fosse fácil, qualquer um de nós estaria lá sozinho contra vinte e dois, decidindo a vida de várias pessoas, aplicando penas e assinando o termo no final da partida.homer_fogo

Corrupção, benefício a árbitros, dinheiro e esquemas de compra? Claro que há. Mas não podemos generalizar, não podemos dizer que o árbitro que marcou dois penaltis e um gol de mão tenha sido comprado para regular o placar da partida. Não podemos dizer que são todos mesmos ladrões e safados, porque muitos estão ali comprometidos com o espetáculo, muito mais que alguns torcedores ou jogadores que atuam no futebol nacional.

No que tange às discussões como dito acima, passamos horas em foruns e mesas de bar discutindo sobre o penalti dado ou o impedimento marcado, sendo que aquela decisão é irrevogável. Os progrmas da manhã, tarde e noite discutem com um entusiasmo viril qual seria a decisão acertada. Não que não se discuta esse assunto, mas se gastássemos as mesmas energias em outros assuntos, talvez não estivéssemos em uma situação tão agravante em nosso país





Piada e preconceito

20 08 2009

Eu não sei contar piadas. Não tenho o ritmo e até hoje só riram de uma única piada que eu contei, riram tanto que acabou a graça de contar qualquer outra piada. Não que eu odeie piadas, eu até gosto, eu adoro piada, alto nível, médio, baixo ou nível Ary Toledo. Gosto de me sentar em uma mesa de bar ouvir os outros contando piada, mas eu, se abrir a boca para contar uma sou capaz de dar um prejuízo imenso ao dono do estabelecimento. Aliás, esse riram foi uma única pessoa é

Alguns humoristas, por mais humoristas que sejam também não tem ritmo para contar pidas, os Stand-ups são prova disso. São pessoas que e você pedir “conte uma piada” vai achá-lo sem graça e não sabe porque alguém que nem sabe contar uma piada pode se chamar de humorista. Até porque não dá para considerar aquelas famosas historinhas como piadas. Na piada você demora até dois minutos para rir, enquanto o stand-up é uma sequência de coisinhas engraçadas.

Tudo isso é só para adentrar no universo piadístico. Não sou bom de contar piadas e nem sou muito fã de certos tipo de piadas, em geral aquelas que detratam e discriminam certos tipos de minorias. Negros, homossexuais, judeus e portugueses só para citar os mais comentados e nem comentei sobre anões, gagos, aleijados etc (a que eu contei e riram foi sobre fanhos).

sem-graca

Não digo que quem goste seja imbecil, eu não. É a mim que incomoda certo tipo de atitude com certas pessoas. Deixei de ver programas televisivos justamente por causa desse tipo de humor depreciativo, que não agrada meus olhos e nem meus ouvidos. Expor uma pessoa porque ela não está no padrão estético da mídia, rir de alguém que é alcoolatra e está caindo no meio da rua não me parece inteligente e nem criativo.

É certo que algumas piadas são mal interpretadas ou até superinterpretadas pelas pessoas, ainda mais com essa onda de moralismo que permeia a sociedade brasileira. Uma palavra pode significar o início de uma revlução para um pedido de desculpas. No entanto, aqueles que mais criticam são os mesmos que riem no sábado ou domingo à noite das mesmas piadas sem graça, que usam de preconceito e discriminação. Somos perversos, pessoas ruins que se divertem com a desgraça alheia. Somos mesquinhos que rimos dos outros, mas odiamos que riam da gente. Somos idiotas e imbecis.

racismo2

Parece que então não devemos mais rir de piadas porque todas usam algum tipo de minoria apra satisfazer o riso do outro, mas esquecemos de levar em conta às vezes que algumas são até toleráveis, inclusive pelo grupo tema. Judeus fazem piadas de judeus, Portugueses fazem piadas de portugueses, mas em relação ao negro por exemplo, colocado como ladrão, símio ou vagabundo é mais complicado, diferente sobre a burrice portuguesa ou a mão-de-vaquice judia.

Inclusive, nos mais sérios assuntos utilziamos de expressões preconceituosas: A peste negra matou milhões. A alma branca é a da boa pessoa. A magia negra é a coisa ruim. Judiar é fazer sofrer, se comportar como judeu, judiação. Um programa de índio é algo que não deu certo. Afinal, somos bonitos apesar de gordos e somos probres, porém honrados.

O ser humano necessita do riso, mas conseguir isso a custo de outras pessoas ou grupos não me parece saudável.