Democracia, essa é a palavra que mais aparece na boca de nossos representantes em Brasília. todos se vangloriam de viver em um país onde todos tem o direito (dever) a voto, onde qualquer um pode se eleger, onde há liberdade de expressão e direito de resposta.
É muito bonito todos falando sobre Sócrates, Platão e Aristóteles, de como seus escritos são obras sagradas da política e da democracia, de como o governo do povo é exercido no Brasil, um governo do povo e para o povo. O povo é sempre elogiado, exaltado e os governantes se vangloriam de estar do lado do povo, pois é o povo que faz a democracia acontecer.
Lembrando um pouco a idéia platônica de democracia, temos que lembrar que ele fala mesmo que o esse é o governo do povo. Mas quem era considerado povo?
Fazendo uma espécie de divisão social de Atenas, haviam os patrícios (os ricos, a elite) e os plebeus (os pobres, a ralé). Mulheres e crianças nem eram considerados gente, assim como os escravos. Logo, o povo eram apenas os patrícios, aqueles homens de posses (materiais e humanas) que se concentravam na praça e decidiam sobre a vida das pessoas da cidade.
Para ser um bom político, era necessário se ter controle sobre as três almas: sabedoria (cabeça), força (peito) e moderação (ventre). Apenas o filósofo poderia ser um bom governante.
Logo, para se ter acesso à essa sabedoria o primeiro de tudo era ser homem (sentido de ser do sexo masculino) e ter posses que dariam direito à aprender com os mestres. Estes ensinariam a verdeira forma de ser homem e por conseguinte um bom político, pois só a eles caberia a liderança da pólis.
Analisando essa forma de “criação de políticos”, é fácil perceber como funciona o nosso sistema de produção de governantes. Famílias inteiras no ramo governamental, como se fosse uma espécie de profissão hereditária, educados para assumir cargos importantes, desde cargos de direção até os próprios cargos parlamentares ou executivos.

Aqueles que não são aptos a governar (por não ser “elite”, ou por não ser de família governante) acabam entrando na escola para exercer seu papel na manutenção do status quo. A escola forma cidadãos que respeitem as instituições e que se dediquem à realização das suas funções específicas. Isso sem contar nas poucas mulheres que conseguem êxito na sua formação política (realidade que muda pouco a pouco).
Aqueles que se não aceitam as instituições e normas impostas são colocados como anormais (como se existisse algo normal na vida) e são “indicados a procurar ajuda”, em médicos ou psicólogos. O adulto viáel (de Foucault) é manipulado para que apenas aceite o que a sociedade, através do seus dispositivos de poder, estipule como normal e anormal.
Manifestações com polícia batendo para “evitar a violência”, direito a voto obrigatório*, proibição de reportagens que denunciem atitudes dos parlamentares, etc. Que democracia é essa?
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* Defendemos o voto obrigatório, depois explica-se o porquê, mas que a coisa é paradoxa, isso é.




















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