Apesar de ser uma filosofia sociológica “superada” o Positivismo colocou-nos diante de uma nova forma de pensar a sociedade. Seguiu numa linha de raciocínio em que cada um devia estar no seu quadrado, fazendo a sua parte, pregando a fraternidade para que o mundo seguisse adiante e assim chegaríamos ao tão sonhado progresso. Nossa bandeira tem uma das inscrições mais Positivistas da história. É pela ordem das coisas que conseguiremos o progresso. É a ordem das atividades dos habitantes do mundo que fará alcançaremos o desenvolmvimento completo, o progresso. Comte (o pai desse estilo de pensar) dizia que deveríamos ter “o amor como princípio, ordem como base e progresso como fim”. Esse é lema no qual baseiam-se os xuxismos, braguimos, hebismos etc. Foi assim com Ford e Toyota.

O positivismo criou o mito do progresso da ciência (e consequentemente da sociedade), trouxe para nós a idéia de que esse conhecimento científico é perfeito, de que a ciência caminha sempre em direção ao progresso e de que a tecnologia desenvolvida pela ciência terá respostas para todas as necessidades humanas.
O progresso, analisando a história da humanidade e tudo o que foi desenvolvido “em prol do progresso da ciência”, realmente foi algo bom para o mundo? Das máquinas a vapor às armas nucleares, passando por Chernobyl, Enola Gay, Zyklon, o que de bom o progresso trouxe para a humanidade? Não estaríamos, nesse sentido, apenas revolvendo toda a “barbárie” dos povos antigos e considerados “primitivos”?
Há quem ainda pense na possibilidade de que realmente o homem pode se organizar, manter uma ordem fraterna e assim chegar ao progresso. O progresso é um mito. Sinto muito.
As nossas necessidades por lucros e o modelo no qual vivemos não nos deixam viver com amor. A selva de pedras é um lugar de luta. Apenas os mais fortes (leia-se aqueles que detem os meios de produção) sobreviverão. No entanto, estes mais fortes precisarão dos mais fracos, alienados no seu trabalho, para manter seus modos e meios de produção.

Em se tratando de Brasil, o buraco é ainda mais fundo. Um país de desigualdades que crescem a cada dia e clamando por Ordem e Progresso. Um país paradoxal, que exige dos seus cidadãos todos os deveres e não dá direitos. Não exerce a prórpia fraternidade estampada no centro de sua bandeira.
É bom pensarmos na devastação ambiental e sócio-cultural, coisas que nos revelam a perversidade do modelo econômico que move nossa sociedade. Não podemos mais ter o pensamento positivista da neutralidade na ciência e perceber que aderir a essa idéia é permanecer no fantástico mundo de Bob.












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