Quando Sérgio Buarque de Holanda diz que o brasileiro é um povo cordial, ele se refere à forma dos brasileiros de agir pelos impulsos do coração e, portanto, fora do contexto de que somos corteses e/ou pacíficos.
Quando uma pessoa age de forma ilegal e os outros ao redor impõem sanções que são, da mesma forma, atos não condizentes com a legalidade, agem pelos impulsos do coração no momento em que ficam indignados com o ato violento praticado pela pessoa, aplicando, assim, uma punição exagerada, linchamentos, espancamentos etc. Às vezes pensa-se em pena de morte como forma de acabar com a criminalidade.
Ainda me pergunto o quão distantes estamos dos nazistas, que são tão criticados por todos.

Tenta-se acabar com o problema acabando com quem o pratica. Tentamos, dessa maneira, acabar com a barbárie criando uma nova barbárie. Muito se diz acerca da pena de morte. Há vários argumentos, sejam eles contra ou a favor deste tipo de punição. Os que são contrários defendem o fato de que se pode chegar a aniquilar inocentes, além de se tirar o direito natural à vida.
Esta corrente defende que um erro não justifica outro. Alguns intelectuais entre juízes, médicos são favoráveis à pena de morte e costumam dizer aos que aquele executado, criminoso, cruel e irrecuperável, não tornará a praticar outro ato nefando como aquele que justificam sua execução. Divergindo desse pensamento podemos dizer que o Estado se igualaria em violência aos criminosos, caso adote esta medida. Além do que, o Estado mostraria sua debilidade na punição dos criminosos, levando à tona a ineficácia em prover a reclusão e a reabilitação do réu. É comum vermos bandidos que saíram da cadeia e continuaram no mundo do crime.
O mais comum é o que acontece nos distritos penitenciários: detentos com um dia ocioso e sem perspectiva de vida no momento pós-detenção. Muitos deles serão discriminados no mercado de trabalho e mais tarde voltam a cometer delitos, de qualquer natureza. Alternativas já foram pensadas e repensadas pela sociedade e pelos poderes que regem o Brasil, podemos citar o mais comentado: a prisão perpétua.
Este tipo de pena pode garantir que o bandido não retorne ao meio social, a menos que esteja totalmente (e comprovadamente) reabilitado. Claro que este indivíduo, em pena perpétua, não pode viver sua vida igual aos que passam, hoje, 20 ou 30 anos (no máximo), uma vida ociosa e sem perspectiva.
O que não podemos mais aceitar é esta escalada da violência, nas mais diversas faixas etárias, que faz com que a população seja, cada vez mais, impulsionada a agir pelo coração e tentar acabar, ela mesma, com o que acontece.
Quantas mortes serão necessárias para que se saiba que já se matou demais?
(Bob Dylan)





















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