Recoloque um Roadstar no seu carro do ano

12 dez

No mundo pós-moderno o que faz sucesso são as modernidades. Porém o que impera é a lei do “sou antigo e sou feliz assim”. Não uma ode à velhice, mas ao passado.

Sabe o que parece? Uma espécie de paradoxo de crises existenciais, nas quais a vida parece não fazer sentido sem a comodidade dos belos produtos da tecnologia proporcionada pelo sistema, e que só é possível por vivermos sob o espectro desse mundo capitalizado, monetarizado e endinheirado.

Que o Facebook se transformou em uma imensa rede e correntes imbecis sobre religiosidade, positividade e joguinhos idiotas ninguém duvida mais. Mas de um tempo para cá, as pessoas começaram a lançar imagens de objetos, brincadeiras e brinquedos que remetem a uma espécie de infância feliz, como se as infâncias do mundo atual não valessem a pena ser vividas.

Este post parece precisar ser escrito em primeira pessoa (tanto do singular, quanto do plural), pela necessidade de mostrar as etapas de criação de uma geração, que eu, sinceramente, tive a felicidade de participar.

A nós, geração infância do fim da década de 80 e 90 em sua totalidade, vivemos em meio a uma série de brinquedos e brincadeiras que pareciam se condicionar melhor a nossas necessidades. O surgimento do computador para alguns de nós significou uma espécie de nova liberdade de agir e de brincar.

A tecnologia ganhou força e nós crescemos. Esquecemos as brincadeiras antigas. Esconde-esconde (31 alerta aqui em São Luís), pegador, bete, travinho na rua, enfim todas as atividades lúdicas que eram praticadas sempre em conjunto passaram a ser realizadas na solidão da tela do computador. Assim, nós que crescemos e entramos na fase do “preciso trabalhar” começamos a ter outras perspectivas valorativas e sempre nos lembrando do quanto nos cansamos jogando nosso futebol, dos tampões de dedo arrancados no asfalto quente e das brincadeirinhas de ordem sexual que empenhávamos nas atividades de esconde-esconde.

Foi uma geração boa, uma geração que conseguiu viver com intensidade uma época de “dificuldades tecnológicas”, mas que também foi uma geração que começou a trilhar os caminhos da geração que estava por vir, esta geração a qual tanto criticamos. Da músicas às brincaderias tudo é motivo de chacota por conta daquelas pessoas que viveram nossa geração.

Engraçado é que a mesma pessoa que coloca a imagem da caneta Bic com a fita K7 dizendo que o infante atual jamais saberá a relação, dificilmente sabe a relação ou diferença de um disco de 33RPM ou 45 RPM, mas também não sabe viver sem um iPhone ou qualquer outro produto ou mídia social do mundo atual.

O que pretendo afirmar aqui é que simplesmente nos apropriamos dos produtos da nova geração, uma coisa que demoramos para apreender, demoramos a ter e que quando tivemos a oportunidade de possuir não conseguimos viver sem. Recoloque um Roadstar no seu carro do ano.

Essa revisita á infância parece ser a expressão de que todos somos contra um sistema que atomiza e coisifica as pessoas, mas que é tão tentador que não sabemos mais viver sem ele, não sabemos mais lidar com outras formas de organização que não este sistema predador e predatório. Essa revisita à infância é revisita a uma infância determinada e não uma infância geral, não às infâncias de diversos tempos e épocas, é uma revisita à nossa infância, locus que não queríamos ter deixado, que não queríamos ter saído, pois era um locus perfeito para o que hoje não conseguimos mais fazer: ser nós mesmos.

Não passamos mais nossos tempos em brincadeiras e atividades lúdicas de movimentação do corpo como um todo e passamos os dias na frente de um computador, olhando nossos amigos através de uma tela de LCD, plasma ou LED. Amigos estes que são determinados pela nomenclatura e não pela relação especial, como eram aqueles da rua, que nos xingavam quando erravávamos um toque ou perdíamos um gol.

As nossas atitudes, pensamos que não, mas se comparam à da nova infância, esta interligada por wireless. Acabamos por nos desvincular de qualquer tipo de contato real, pele na pele. Desvinculamos inclusive nossas atividades, rebeldias e revoluções às ruas e alocamo-las dentro dos discos virtuais das redes sociais. Estamos vivendo na vida adulta a nova infância, nem nos damos conta disso. Nem as manifestações não saem nas ruas. Tem seu início, meio e fim dentro da rede virtual.

Ficaram apenas as reminiscências, de uma época que adoramos viver, mas que não queremos que volte. Dá muito trabalho ter q levantar da cadeira para mudar o canal da TV, o controle remoto foi a revolução.

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De Sócrates a Doutor: um homem, um cidadão, um jogador de futebol e um lutador

6 dez

Eis aqui de novo para falar de futebol. Na verdade, não é bem “do” futebol que trata este post, mas de uma figura, de uma pessoa, um sujeito que fez sua história dentro do futebol e da história do próprio Brasil.

O post que aqui se apresenta é trambém trata sobre a manipulação midiática, principalmente da detentora dos direitos televisivos do futebol nacional.

O que se operou com a morte de Sócrates foi um discurso extremamente manipulador e que cobriu com os versos da moralidade imposta um discurso intenso e desvirtuante de toda a vida de um dos maiores jogadores que já praticou o esporte bretão. MAIOR QUE ZICO! (Podem apedrejar).

Primeiro falemos do jogador, do calcanhar invisível. Sócrates, como um homem letrado não apenas na sua ciência, mas calcado em ários estudos por outros campos que não o especializaram e, sim, expandiram sua visão de ver o mundo, percebeu que o mundo do futebol nada mais era do que o mundo do trabalho especializado, ou seja, determinada habilidade pronta para ser utilizada pelos corpos.

Assim, precisou se especializar, precisou galgar seu espaço no campo de jogo. Antiatleta, como autointitulava-se, não tinha o porte físico padronizado para a prática do futebol, desenvolveu então seu passe cego de calcanhar, desenvolveu uma marca que seria seu estereótipo, uma atitude que o colocou em pé de celebridade esportiva. Assim como Pelé e Garrinha desenvolveram os dribles, Júnior e Neto desenvolveram sua habilidade em cobranças de faltas e assim como Dinamite e Romário desenvolveram a arte de meter a bola para dentro do gol.

Sócrates foi o fundador da Democracia Corinthiana, época aclamada pelos meios de comunicação como a liberdade do jogador de futebol em um clube. Na verdade, (e aqui começamos a próxima abordagem do post) o que não se fala é que esta tal Democracia  Corinthiana, partiu de um grupo de jogadores, liderados pelo Doutor, para uma gestão democrática do futebol (ou de um clube de futebol).

Aqui um adendo: chama-se Sócrates de Doutor, sob o argumento de que ele era formado em medicina, mas vários de seus confrades confirmam que era muito mais por ser alguém intelectual, engajado em causas de movimentos de mudança, que culminou na Democracia Corinthiana. Formas novas de gestão que podem ser absorvidas pela Leitura do livro “Democracia Corinthiana: a utopia em jogo”, de autoria do próprio Sócrates em conjunto com Ricardo Gozzi.

A década de 80 é uma época de abertura política e a Democracia vem a ser uma nova forma de desenvolvimento político dentro de uma instituição, ao que parece, feita para emburrecer a audiência. Não é outra a sensação que passa, quando o mesmo Corinthians e corinthianos, afirmaram à época da controversa injeção de capital no time por Kia Joorabchian, que “não importasse de onde venha o dinheiro, o importante seria o Corinthians ganhar títulos”.

Sócrates cria uma nova forma de gestão futebolística, com participação dos jogadores nas deliberações de contratações e outros assuntos de cunho administrativo, tudo por meio do voto. Ora, autogestão pelo corpo de trabalhadores, pelo proletário revestido pelo véu da beleza atlética e monetária.

O que a mídia impões, neste caso, é que existiu uma forma de controle do clube pelos jogadores. Coloca a bela forma de gestão do clube, mas que hoje não seria necessária porque existe uma tal corrupção que esta se encontra naturalizada pelo indivíduo, como se todo sujeito fosse corrupto por natureza.

Sócrates ao marcar um gol, celebrava com o punho erguido e cerrado, símbolo dos movimentos sociais ditos de esquerda, ao que a mídia apenas chamava de uma forma “sóbria” de comemoração. Sóbria, bem diferente a ebriedade comum do jogador que não negava seu apreço pelas mesas de bares. O gesto representava muito mais do que uma comemoração ao golmarcado, representava a ideologia de Sócrates, representava sua luta naquilo que acreditava (não era apenas um símbolo dos Black Panthers feito famoso nas Olimpíadas de 1968, o gesto é símbolo das lutas sociais desde antes – é uma saudação comunista por excelência).

De esquerda ou de direita? Sócrates era socialista acima de tudo, o próprio já afirmou em entrevista. Pela última rodada, os jogadores do Corinthians imitaram o gesto ao que os meios de comunicação apenas reduziram ao “gesto de Sócrates”. Escondendo (sabedores ou não da ideologia por trás) a pessoa do jogador, lembrando apenas do jogador. Mas, o jogador, o atleta inclusive como tal se mostrava detentor de um discurso carregado de ideologia comunista.

Seja a favor ou contra as ideias de Sócrates, o que importa é que não se pode esconder, consciente ou inconscientemente, a vida do cidadão.

Se é para homenageá-lo, tenho certeza que muito mais se faria justiça e muito mais ele gostaria se o fizéssemos por meio de suas palavras, lutas e atitudes que eram tão geniais quando algumas de suas jogadas.

Para finalizar, as três partes da entrevista de Sócrates a Juca Kfouri:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

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Por um otimismo das ações

3 nov

Gramsci dizia que era um pessimista das palavras e um otimista das ações. Penso que a sua verdadeira intenção com esse discurso era dizer que não importava o quanto você fique dentro de uma redoma, cercado por vários autores e obras espetaculares que discutem sobre a sociedade e coisas a ela pertinentes, nada faz sentido se uma atuação na vida real não existe.

Isso é o que parece estar acontecendo no mundo (pós)moderno que vivemos. Pela facilidade de acesso a informações e pela agilidade nesta troca de informações acabamos por ficar presos em uma couraça que não nos deixa sair para discutir isto na rua.

Do twitter ao facebook, passando pelos diversos blogs que se caracterizam como formadores de opinião, observamos à criação de um novo sistema de discussão: a democracia das mídias sociais. E não que isto seja ruim, de modo algum. O problema se dá justamente quando só se quer atuar dentro dessas categorias.

É como se uma manifestação real não fizesse sentido, como se apenas hoje em dia o mundo virtual seja visitado. Entendo a segurança que isso passa, afinal ninguém está na rua e poderá sofrer alguma retaliação da força policial, que sabemos agir sem qualquer preparo.

Importa ressaltar, entretanto, que a polícia (ou poder de polícia) não está nas ruas retaliar e sim apra garantir que a manifestação ocorra. É nesse sentido que as discussões tem que correr. Falaria aqui de diversas e diversas situações em que a polícia, no lugar de garantir o direito de expressão, acaba por violar esse direito. Ou seja, quem deveria estar lá para proteger e pacificar o protesto acaba por aumentar ainda mais a indignação de algumas camadas da sociedade contra qualquer movimentação de pessoas.

Mas estamos mudando um pouco o foco do objeto de discussão.

Não entendo de raízes psicológicas das pessoas, nem mesmo se é este “senso de segurança” que aumenta o sofativismo. Contudo, é perceptível a nossa resistência quando começamos a discutir uma maneira de exigir direitos fora de casa. Na frente do computador e da TV é tudo muito lindo, a revolta pelas várias distorções legais se manifestam de forma ampla, mas na medida da saída da zona de conforto, essa revolta fica mais no nosso âmago e não é expresso em manifestações.

Do cinema ao futebol, passando por qualquer tipo de literatura ou música, resta-nos achar que as coisas vão melhorar (de uma forma ou de outra). Acontece que se não nos mexermos, as coisas não melhorarão, não mesmo.

Muita gente reclama de que se Fulano tem um pensamento tal, esta pessoa não pode se valer, não pode utilizar das “delícias do mundo moderno”. Ocorre que é justamente aí o ponto crucial de atuação de uma manifestação segura, ora bolas.

Falamos de algumas expressões artísticas e culturais que criticam o nosso sistema político e de produção e, no entanto, usam marcas poderosas para divulgar essa crítica. Ora, estamos dentro de um sistema que se faz dentro de si e a si mesmo, é autopoiético e insere em nossas cucas que devemos seguir tal e qual este sistema nos manda seguir. Assim, não há que se criticar quando você mesmo usa o sistema.

Como não?

Exemplo claro desta crítica: grupos de Rock que fazem ativismo musical endorsados por equipamentos reconhecidamente caros e frutos do sistema (sim, estou do Rage Against The Machine e um pouco também do System of a Down). Ou o diretor que vive de documentários críticos ao sistema e no entanto tem contrato com uma grande produtora cinematográfica (sim, estou falando de Michael Moore). Isso só para citar alguns exemplos.

Mas retornemos ao começo deste texto, no qual falamos de Gramsci e da seu otimismo pelas ações. Acho que Gramsci, se vivo, adoraria toda esse ativismo feito por estas pessoas que se utilizam dos meios que o próprio sistema dá. Alguns falam em hipocrisia por parte destas pessoas, eu diria que é inteligência e senso de estratégia. Afinal, nada melhor que usar contra seus inimigos as armas que ele próprio dá.

Ora, este espaço aqui, no qual estamos vendo e lendo este texto é um espaço determinado e disponibilizado pelo sistema e estamos usando para desconstruir coisas que o sistema tenta naturalizar. O próprio facebook, twitter, enfim, as mídias sociais como um todo são espaços determinados e disponibilizados pelo sistema e que usamos para lutar (o que quer que signifique este “lutar”) por algo que a nós nos parece certo.

Assim, ou todos nós somos hipócritas ou temos um senso de estratégia e luta bem aguaçado (mesmo que inconscientemente).

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Pelas ondas do rádio: uma conversa sobre a lei do babaçu livre no Maranhão

24 out

Neste mês de setembro a experiência com as quebradeiras de coco em Dom Pedro rendeu um artigo que foi encaminhado para o IPEA – CODE e ainda estamos aguardando o resultado (que deve sair em novembro). O artigo foi produzido por mim, pela Prof. Msc. Érika Dmitruk (UFSC) e pelo Professor Doutor Miguel Etinger (UERJ).
Mas além disso, esse artigo foi encaminhado para o Robério, lider das quebradeiras, que me convidou para uma conversa e esclarecimentos sobre a Lei do Babaçu Livre em uma rádio comunitária.
A estação em questão é a Rádio Semeando Vidas, que é parte dos projetos da Paróquia de São José dos Basílios. Janikelson, que é o respnsável pela rádio, nos recebeu muito bem e abriu o espaço para que falássemos por cerca de meia hora, sem intereferências, sobre o artigo citado, que tem como título A lei do babaçu livre: uma estratégia para a regulamentação e proteção da atividade das quebradeiras de coco, com vistas ao desenvolvimento regional sustentável no Estado do Maranhão.
A rádio atinge vários pontos da zona urbana e rural do município (e de alguns vizinhos) e é a única rádio que funciona por essa área, logo a audiência é sempre bastente intensa, visto que o programa passa entre as 9:00 e 11:00 da manhã.
Foram disponibilizadas vinte cópias do artigo para os interessados, bem como a possibilidade de se enviarem mais cópias na medida em que fossem requeridas.
O tom da conversa foi bem informal e didático, para que a população (com um índice de analfabetismo em cerca de 60%) não tivesse dificuldades em entender as falas.
Este artigo encontra-se com a assessoria jurídica do deputado estadual Bira do Pindaré para que se estude com mais profundidade a possibilidade de proposta de uma Lei do Babaçu Livre para todo o estado do Maranhão. Em conversa com Coqueiro, assessor chefe do deputado Bira do Pindaré, este nos informou que já existe um projeto, mas que encontra-se entravado por conta de questões que envolvem a propriedade privada.
Assim que sair o resultado do IPEA, publicaremos o artigo neste e em outros blogs, aguardem!

O áudio da conversa pode ser encontrado aqui: http://www.wupload.com/file/996310481/clipe_som_01.mp3

Áudio da Rádio Semeando Vidas

 

O WordPress.Com anda meio instável e por isso para baixar o áudio, será necessário recorrer ao velho CTRL+C / CTRL+V no seu navegador.

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Dinheiro, muito dinheiro

13 out

Estamos passando, todos nós, por um momento extremamente difícil na atualidade. Um momento no qual não estamos pensando em nada além de nós mesmos e muito menos nas implicações disto.

Vi esta imagem hoje:

9GAG.COM é esse site bem legal, com várias imagens divertidas para desopilar um pouco. Mas esta imagem chama a tenção por tratar de forma bem humorada uma situação que a nós nos parece comum.

Aqui temos três aspectos do sistema que nos fazem parecer meros hamsters correndo dentro daquela bolinha, sem rumo e sem necessidade de se questionar: por que?

O primeiro aspecto é a especulação: tudo tem um preço nesse sistema, até você. O sujeitinho de cartola acaba por observar aquilo que pode ser a semente para que ele possa fazer dinheiro, retirar aquilo que é nos dado “de graça” (a sombra da árovore) para cobrar um valor por um empreendimento que é legitimado pelo ideal de beneficiamento. A casinha é mais confortável, pois além da sombra para proteção do sol, ainda serve para outras atividades.

O segundo aspecto é a destruição do meio ambiente. Penso que fica claro na charge e não merece mais elucidações. Apenas vale ressaltar que a árvore parece pertencer ao senhor de cartola e que o corte é apenas um detalhe para que o seu investimento seja produzido. Engraçadoo também, é que o próprio senhorzinho é o lenhador e “pedreiro” da construção. Claro que isto é uma figuração, sabemos que no mundo real, o sujeitinho jamais faria o trabalho braçal.

O último aspecto, e não menos importante, é simbolizado pela nossa passividade frente ao que ocorre. Apenas pagamos e pronto, voilá, eis que nossa vida muda completamente, nossas atitudes se moldam e se movimentam pela mera presença do dinheiro.

Pode-se argumentar que a árvore pode ser propriedade privada e que isso legitimaria o corte para o empreendimento. No entanto, a mera propriedade não justifica, ou melhor, só justifica o que temos em mente: produção e reprodução. Produção no sentido de acumulação desenfreada de riquezas e reprodução de relações baixas e calculistas, que para se exercerem basta que exista um único elemento, o dinheiro.

O elemento econômico é o propulsor de toda e qualquer relação e não que isto seja certo ou errado, é apenas a constatação de vivermos em uma sociedade que não se importa com o que possa acontecer e que não se sente mais responsável pelas suas atitudes, desde que o dinheiro possa comprar o conserto.

A individualidade intrínseca ao sistema capitalista acaba por premiar as pessoas que conseguem se dar bem e este “se dar bem’ está intimamente ligado à capacidade de acumulação de riquezas (independente da forma que isto seja conseguido). Sob um argumento fajuto de trabalho como dignidade, como se o trabalho hoje em dia fosse algo realmente prazeroso, o sistema insere em nossas cabeças que todos podem ser o que quiser, desde que lute para isso – mas não informa que algumas pessoas não terão esta condição, porque simplesmente jamais conseguirão acesso aos recursos que alguns de nós temos e a estas pessoas resta o crime, melhor dizendo, resta ser rotulado dentro de determinadas classes (preguiçosos, vadios etc.) que não serão agraciadas pela providência divina capitalista.

O senhorzinho, no final das contas, ele é quem está certo.

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Sampaio Corrêa, não vou te abandonar

3 out

Eu assumo que sou um torcedor Amélia. Sofro, sofro e parece que só quero mais sofrer. Aquela velha máxima do “cada um no seu cada qual” se faz bem presente na vida de um torcedor de futebol, ainda mais se esse time faz parte de um grupo marginalizado.

Infelizmente esta é a vida de um torcedor do que a Globo convencionou chamar “divisões de acesso”.

OK, vamos aos fatos.

Podemos não ser os melhores no que fazemos, mas o fazemos com orgulho, com amor e dedicação. Lutamos até o fim e uma derrota só aumenta o amor, diferentemente de uns e outros que são livres para ficar ao longe, admirando as coisas pelo Mirante da sua zona de conforto.

Infelizmente, (e aqui começa uma série de infelicidades) é neste locus de paixão chamado futebol que alguns se sentem extremamente inseridos, amando as marcas de uma mídia monopolizadora, que as paixões indicam o quanto estamos desapegados do mundo real. Achando que a insanidade virtual é a essência de cada momento da vida.

Infelizmente deixamos a Série D, talvez nem por falta de sorte ou por causa de erros, acertos ou arrgância de quem quer que fosse. É o futebol, às vezes os melhores não são premiado (e temos vários e vários exemplos disto ao longo da história futebolística)

Infelizmente, também, nosso futebol anda meio que como um menor abandonado, aquele na qual olhamos no semáforo, sentimos pena, damos um trocadinho, mas fechamos os vidros dos nossos carros.

Infelizmente, ainda sofremos com o pensamento de uma maioria que acha melhor assimilar o de fora, buscar algo já pronto, moldado e acabado. Só para bater no peito e dizer “eu tenho orgulho de ser…”. De ser o que? Manipulado? Usado apenas como consumirdor? Alguns de nós deixamos de ser torcedores, apenas para consumir futebol. Como se o futebol fosse algo explicável por uma conta exata e perfeita, como os malditos esportes americanos.

Vejam o que está regendo nossas vidas, vejam quem está manipulando as cordas de nós, pobres marionetes nas mãos de poucos.

Infelizmente (e isso valerá para cada um daqui que ler isso – se é que terão paciência), foi o estado do Maranhão que acabou de perder uma vaga na disputa por um lugar na Série C. Pode até servir de piada, de chacota para os torcedores rivais. Mas, sinceramente, que tipo de alegria pde haver quando o maior campeonato que você disputa é um torneio “suburbano de qualidade duvidosa” ou quando você acabou de voltar da segunda divisão do seu Estado?

Infelizmente, não fomos apenas nós bolivianos que perdemos. Foi o Sampaio Corrêa (que é maior que todos estes aí, vocês sabem quem), e, para o bem ou para o mal, o estado, a terra, o futebol do Maranhão, infelizmente (para alguns) representados na figura desse ilustre clube. Perdemos uma vaga na Série C e o Maranhão perdeu mais uma vaga no cenário nacional.

Infelizmente (e isso mexerá com o ego, o brio e qualquer sentimento guerreiro de qualquer pessoa que se sinta incomodada) é o Sampaio Corrêa no próximo ano que irá tentar, mais um vez, uma vaga para o futebol maranhense na Série C, abrindo assim, uma vaga na Série D.

Convivam com isso, pelo menos até o próximo ano.

Obrigado.

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