No mundo pós-moderno o que faz sucesso são as modernidades. Porém o que impera é a lei do “sou antigo e sou feliz assim”. Não uma ode à velhice, mas ao passado.
Sabe o que parece? Uma espécie de paradoxo de crises existenciais, nas quais a vida parece não fazer sentido sem a comodidade dos belos produtos da tecnologia proporcionada pelo sistema, e que só é possível por vivermos sob o espectro desse mundo capitalizado, monetarizado e endinheirado.
Que o Facebook se transformou em uma imensa rede e correntes imbecis sobre religiosidade, positividade e joguinhos idiotas ninguém duvida mais. Mas de um tempo para cá, as pessoas começaram a lançar imagens de objetos, brincadeiras e brinquedos que remetem a uma espécie de infância feliz, como se as infâncias do mundo atual não valessem a pena ser vividas.
Este post parece precisar ser escrito em primeira pessoa (tanto do singular, quanto do plural), pela necessidade de mostrar as etapas de criação de uma geração, que eu, sinceramente, tive a felicidade de participar.
A nós, geração infância do fim da década de 80 e 90 em sua totalidade, vivemos em meio a uma série de brinquedos e brincadeiras que pareciam se condicionar melhor a nossas necessidades. O surgimento do computador para alguns de nós significou uma espécie de nova liberdade de agir e de brincar.
A tecnologia ganhou força e nós crescemos. Esquecemos as brincadeiras antigas. Esconde-esconde (31 alerta aqui em São Luís), pegador, bete, travinho na rua, enfim todas as atividades lúdicas que eram praticadas sempre em conjunto passaram a ser realizadas na solidão da tela do computador. Assim, nós que crescemos e entramos na fase do “preciso trabalhar” começamos a ter outras perspectivas valorativas e sempre nos lembrando do quanto nos cansamos jogando nosso futebol, dos tampões de dedo arrancados no asfalto quente e das brincadeirinhas de ordem sexual que empenhávamos nas atividades de esconde-esconde.
Foi uma geração boa, uma geração que conseguiu viver com intensidade uma época de “dificuldades tecnológicas”, mas que também foi uma geração que começou a trilhar os caminhos da geração que estava por vir, esta geração a qual tanto criticamos. Da músicas às brincaderias tudo é motivo de chacota por conta daquelas pessoas que viveram nossa geração.
Engraçado é que a mesma pessoa que coloca a imagem da caneta Bic com a fita K7 dizendo que o infante atual jamais saberá a relação, dificilmente sabe a relação ou diferença de um disco de 33RPM ou 45 RPM, mas também não sabe viver sem um iPhone ou qualquer outro produto ou mídia social do mundo atual.
O que pretendo afirmar aqui é que simplesmente nos apropriamos dos produtos da nova geração, uma coisa que demoramos para apreender, demoramos a ter e que quando tivemos a oportunidade de possuir não conseguimos viver sem. Recoloque um Roadstar no seu carro do ano.
Essa revisita á infância parece ser a expressão de que todos somos contra um sistema que atomiza e coisifica as pessoas, mas que é tão tentador que não sabemos mais viver sem ele, não sabemos mais lidar com outras formas de organização que não este sistema predador e predatório. Essa revisita à infância é revisita a uma infância determinada e não uma infância geral, não às infâncias de diversos tempos e épocas, é uma revisita à nossa infância, locus que não queríamos ter deixado, que não queríamos ter saído, pois era um locus perfeito para o que hoje não conseguimos mais fazer: ser nós mesmos.
Não passamos mais nossos tempos em brincadeiras e atividades lúdicas de movimentação do corpo como um todo e passamos os dias na frente de um computador, olhando nossos amigos através de uma tela de LCD, plasma ou LED. Amigos estes que são determinados pela nomenclatura e não pela relação especial, como eram aqueles da rua, que nos xingavam quando erravávamos um toque ou perdíamos um gol.
As nossas atitudes, pensamos que não, mas se comparam à da nova infância, esta interligada por wireless. Acabamos por nos desvincular de qualquer tipo de contato real, pele na pele. Desvinculamos inclusive nossas atividades, rebeldias e revoluções às ruas e alocamo-las dentro dos discos virtuais das redes sociais. Estamos vivendo na vida adulta a nova infância, nem nos damos conta disso. Nem as manifestações não saem nas ruas. Tem seu início, meio e fim dentro da rede virtual.
Ficaram apenas as reminiscências, de uma época que adoramos viver, mas que não queremos que volte. Dá muito trabalho ter q levantar da cadeira para mudar o canal da TV, o controle remoto foi a revolução.
Tags:bete, bic, caneta, capitalismo, cassete, chinelo, controle, facebook, infancia, k7, midias, remoto, revolucao, roadstar, saudosismo, sociais, travinha, travinho, twitter










SocialVibe